junho 14, 2007

Narrativas

[«] Não ficaria muito surpreendido que um computador, como os que conhecemos hoje em dia, fosse incapaz de executar um programa equivalente a uma mente humana (apesar de não ver como se possa demonstrar uma afirmação destas). Até agora a comunidade científica da IA tem falhado nesse objectivo: os passos dados parecem ser demasiado pequenos há demasiado tempo. Explicar a mente com uma teoria não construtiva, para este efeito, também de pouco serve: as narrativas usadas não fornecem meios para replicar o que se tenta explicar. Que Dennet refira a consciência como uma dinâmica organizada sobre a sequencialização tardia de um cérebro muito antigo e massivamente paralelo, tem um cunho de razoabilidade (falarei mais disto nos posts seguintes) mas dificilmente serve de base na criação de um «computador pensante». Muitas outras metáforas da literatura sofrem do mesmo problema. O ponto que quero deixar (por enquanto) no ar é que talvez não haja necessidade dessa equivalência para termos uma ferramenta a que, largando razoavelmente alguns preconceitos, não possamos chamar de consciente.

4 comentários:

Isabela disse...

Eu não tenho conhecimentos suficientes sobre esta matéria, mas, enfim, lá vai opinião:
- um computador pode de certeza executar um programa equivalente a algumas mentes terminadas. Quero dizer, aquelas que não mudam, não evoluem. Há muitas por todo o lado, mas, em Portugal, são mais que as mães.
- se for possível criar um programa que vive em paradoxo, que reconhece linguagem corporal, gestual imperceptível, que rem intuição, dotado de toda a panóplia de sentimentos que nos fazem - ou seja, se o programa não for apenas um jogo de lógica,porque isso é tudo o que não somos, então talvez...
Se o programa for melhor que a raça humana... que não vale muito... olha... que seja.

sLx disse...

Um computador poderia responder que os seres humanos põem demasiado peso no facto de alguém ser capaz de os imitar. Mas será que é preciso ser-se 'igual' a um ser humano para ser-se uma pessoa?

Nós chamamos pessoas a todos os homo sapiens (mesmo aos terminados, como dizes) por cautela, bom-senso e educação. E muito bem. Mas porque temos de ser tão rigorosos com outras possibilidades?

kamaroonis disse...

Pois, talvez a questão relativa à "consciência" seja mais filosófica que computacional; na verdade a pesquisa "computacional" (quantativa?) é muito mais "jovem" que a filosófica... O problema aqui também será o da comparação, na medida em que toda a nossa experiência está indubitavelmente ligada ao facto de sermos humanos.
Numa nota ilustrativa diria que até os "nossos" deuses são mais humanos que outra coisa... :)

Isabela disse...

Foi uma gralha, eu queria dizer determinados!

Para se ser pessoa não é preciso ser totalmente igual ao ser humano, mas então é-se um humano diferente. Não é necessariamente pior. Depende.