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dezembro 30, 2014

"setting a man's conjectures at a very high price"

[About witch trials] I have my ears battered with a thousand such flim-flams as these: "Three persons saw him such a day in the east; three, the next day in the west; at such a hour, in such a place, in such habit"; in earnest, I should not believe myself. How much more natural and likely do I find it that two men should lie, than that one man in twelve hours' time should fly with the wind from east to west? How much more natural that our understanding should be carried from its place by the volubility of our disordered minds, than that one of us should be carried by a strange spirit upon a broomstick, flesh and bones that we are, up the shaft of a chimney? Let us not seek illusions from without and unknown, we who are perpetually agitated with illusions domestic and our own. Methinks one is pardonable in disbelieving a miracle, at least, at all events where one can allude its verification as such, by means not miraculous; and I am of St. Augustine's opinion, that "tis better to lean towards doubt than assurance, in things hard to prove and dangerous to believe." ... It is true, indeed, that the proofs and reasons that are founded upon experience and fact, I do not go to untie, neither have they any end; I often cut them, as Alexander did the Gordian knot. After all, 'tis setting a man's conjectures at a very high price, upon them to cause a man to be roasted alive. -- Montaigne, Essays 3 chp.11.

fevereiro 18, 2013

Alternatives

Evidence for a model (or belief) must be considered against alternative models. Let me describe a neutral (and very simple) example: Assume I say I have Extra Sensorial Perception (ESP) and tell you that the next dice throw will be 1. You throw the dice and I was right. That is evidence for my claim of ESP. However there's an alternative model ('just a lucky guess') that also explains it and it's much more likely to be the right model (because ESP needs much more assumptions, many of those in conflict with accepted facts and theories). This is a subject of statistical inference. It's crucial to consider the alternatives when we want to put our beliefs to the test.

fevereiro 11, 2013

Never ending stories

Arguments and topics that consider data as irrelevant become exercises is Aesthetics, which is not intrinsically bad but might turn into a never ending discussion. On the other hand, I'm not sure we should easily dismiss a good argument that goes against current evidence. Perhaps the evidence is not good enough, and the argument can show new ways to search for new knowledge. Heliocentrism comes to mind.

novembro 14, 2011

Balança

O cepticismo é necessário para possibilitar a acumulação coerente de conhecimento. Cepticismo a menos pode levar-nos aos sistemas dogmáticos, edifícios estáveis mas imóveis. Excesso de cepticismo leva-nos ao niilismo, o que não serve de telhado quando começa a chover.

outubro 13, 2011

the only question that really matters

"Apparently praying keeps her calm and happy. It's some kind of ritual for them. It doesn't do any harm. Why don't you go and join them if you're worried?"
Theo said: "I don't think they'd want me."
"I don't know, they might. They might try to convert you. Are you a Christian?"
"No, I'm not a Christian."
"What do you believe, then?"
"Believe about what?"
"The things that religious people think are important. Whether there is a God. How do you explain evil? What happens when we die? Why are we here? How ought we to live our lives?"
Theo said: "The last is the most important, the only question that really matters. You don't have to be religious to believe that. And you don't have to be a Christian to find an answer."
Rolf turned to him and asked, as if he really wanted to know: "But what do you believe? I don't just mean religion. What are you sure of?"
"That once I was not and that now I am. That one day I shall no longer be."
Rolf gave a short laugh, harsh as a shout. "That's safe enough. No one can argue with that. What does he believe, the Warden of England?"
"I don't know. We never discussed it."
Miriam came over and, sitting with her back against a trunk, stretched out her legs wide, closed her eyes and lifted her face, gently smiling, to the sky, listening but not speaking.
Rolf said: "I used to believe in God and the Devil and then one morning, when I was twelve, I lost my faith. I woke up and found that I didn't believe in any of the things the Christian Brothers had taught me. I thought if that ever happened I'd be too frightened to go on living, but it didn't make any difference. One night I went to bed believing and the next morning I woke up unbelieving. I couldn't even tell God I was sorry, because He wasn't there any more. And yet it didn't really matter. It hasn't mattered ever since."
Miriam said without opening her eyes: "What did you put in His empty place?''
"There wasn't any empty place. That's what I'm telling you."
P.D.James, The Children of Men

abril 10, 2011

Storm

Uma excelente curta de animação que vale a pena para quem tem de ouvir, por educação, adultos a falar de variações sobre o Pai Natal.

setembro 09, 2009

Espaço de Manobra

Santo Agostinho defendeu que um milagre não é uma violação das leis naturais mas sim uma violação do nosso entendimento das leis naturais. Deste modo, há uma restrição aos poderes do deus de Agostinho, pois as suas acções são restritas pelas próprias leis que definiu. Esta interpretação, porém, não diz tudo. De facto, quando ocorre um milagre, i.e., um evento tão raro ou complexo que nos surpreende ou intimida, é dada à humanidade uma oportunidade para aprofundar e aperfeiçoar o seu entendimento sobre a natureza. A nossa ignorância sobre os mecanismos do Universo é uma ignorância natural e não sobrenatural. O sobrenatural mostra-se, aliás, um conceito vazio - no que diz respeito ao Universo - pois nada do que vai contra as leis naturais é nele possível. Se a nossa ignorância estiver reduzida a um ponto em que os eventos milagrosos se tornam tão extremos que deixam de ter impacto na nossa vivência diária (como é o nosso caso, onde as fronteiras se desenham já no profundo do micro e do macrocosmos) os milagres deixam, pura e simplesmente, de ocorrer. Deus, o agente de acções milagrosas cuja falta de evidência nunca o permitiram ser mais que uma hipótese, vê, deste modo, retirado o seu espaço de manobra e é tornado irrelevante no mundo físico (poderá dizer-se que ainda sobra espaço no plano moral, mas aí é uma outra batalha, tendo de competir com a poderosa força da razão ética). Restaria apenas ser sinónimo do desconhecido se não fossem tantos os equívocos que na sua palavra se acumulam.

junho 29, 2009

Cocktail

O nosso cérebro tem uma enorme capacidade de procurar padrões. Ao mesmo tempo, há suficiente evidência científica que é comum ao ser humano acreditar e tomar acções de forma irracional (ler, por exemplo, Irrationality de Stuart Sutherland). Se juntarmos a isto a possibilidade de extrair padrões de mero ruído aleatório, i.e., sem ser resultado de uma regularidade mais profunda, temos uma mistura explosiva que possibilita as superstições, o pensamento mágico, o concretizar de uma qualquer imaginação.

junho 25, 2009

Padrões e Combinatórios

As leis científicas são simplificações de certas regularidades, estando abertas a refutação ou reforço. A Ciência produz conhecimento sob a forma de leis científicas e, por isso e acima de tudo, é um método, ou família de métodos, uma forma de perceber e lidar com a realidade (e, assim, prever ou controlar eventos futuros). Porque somos irremediavelmente falíveis, parciais e preconceituosos, cada cientista deve adoptar uma posição de cepticismo e usar apenas a argumentação racional e a recolha sistemática de informação na construção de evidências, seja para criar, desmontar ou reforçar novas ou velhas reivindicações (certas leis recolhem tanta evidência a seu favor que se tornam, para além de qualquer dúvida razoável, factos, como a teoria heliocêntrica, a esfericidade da terra, a deriva dos continentes, ou a evolução das espécies). Há algo na Ciência que a torna para-pessoal: as leis científicas descrevem regularidades que, grosso modo, podem ser redescobertas por mais vezes que o conhecimento se perca (o mesmo se sucede na Matemática e, creio, na Filosofia). Isso não ocorre noutras áreas do saber humano como na Literatura, na Música, na Arte em geral, onde a combinatória permite uma infinidade de produtos que a cultura do momento permite e filtra - através dos seus tabus, desejos e superstições, dos resultados imprevisíveis de uma História contingente - e que uma miríade de acasos revela ou eclipsa.

abril 21, 2009

Dogma

[...] 26Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo.» 27Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos. 28Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados. [Mateus 26-28]
O milagre da transubstanciação, durante a Eucaristia, transforma o pão e o vinho na carne e no sangue de Cristo. Para além da dúbia vantagem na conversão de canibais e vampiros com poderes de abstracção, esta crença medieval causa, hoje, perplexidade à maioria das pessoas e poucos católicos a interpretam como literal (mas deveriam fazê-lo, segundo a ortodoxia). No entanto, no passado, ela tinha algum sentido porque se assumia que os objectos, como Aristóteles argumentara, possuíam propriedades secundárias (como a cor, o sabor ou a textura) mais uma substância primária que definia, essa sim, o objecto. Desta forma, durante a Eucaristia, o pão e o vinho manteriam as suas propriedades secundárias mudando apenas, de forma imperceptível aos sentidos, as suas substâncias passando a ser o corpo de Cristo. A Revolução Científica trouxe uma mudança da nossa perspectiva do Mundo, e a ontologia de Aristóteles tornou-se obsoleta com as descobertas e os argumentos dos últimos 400 anos. Mas a ortodoxia não muda (ou muda pouco). A transubstanciação é um desses ecos que persiste do passado, cada vez mais distorcido pela habitual e progressiva distância que os dogmas tendem a acumular com a realidade. [1]

abril 15, 2009

Via Robotica

Não há nada de mais relevante a uma sociedade que dar condições às suas crianças para crescerem com espírito crítico e suficiente cultura e aproveitar, aqui e agora, o igual dos seus direitos e o único das suas capacidades. Como defendido por von Humbolt e Stuart Mill, são necessárias duas coisas: liberdade (de acção, de expressão) e variedade de oportunidades. Só assim se sustém o vigor intelectual e a originalidade da respectiva sociedade. Se não motivarmos o espírito crítico fabricaremos ovelhas mesmo que as haja de diversas cores e tamanhos. Se, ainda por cima, não estimularmos a variedade obtemos um rebanho padronizado em brancos e pretos.

março 26, 2009

A montanha e o rato

O mundo é complexo e não tende a melhorar. Como pode sobreviver o espírito crítico individual a tanta diversidade, a tantas opiniões fundamentais - e fundamentadas - defendidas em milhões de livros, revistas e jornais? Restringir a opinião crítica à respectiva área especializada pode parecer razoável mas arriscamos a ser autómatos que papagueiam opiniões alheias em tudo o resto. Que tarefa esta de defender o razoável que é nosso contra o sublime proclamado por inúmeros sábios do passado e presente.

março 10, 2009

Crenças

"Uma crença é razoável apenas quando existe evidência em favor da sua verdade" James Rachels

fevereiro 02, 2009

Movimento Browniano

Trivializar não é trivial. Os assuntos relevantes ao tecido social (por exemplo, a economia, a estatística, a ética) não podem ser comprimidos em cinco minutos de exposição e muito menos no aforismo televisivo de dez palavras. Quanto mais invasiva e instantânea for a propaganda e a comunicação social, maior será a tendência de substituir a ideia correcta pela simplificação do que soa bem ao senso da multidão. Seja porque é deles o voto e as audiências, seja porque o argumento da maioria parece sempre uma aposta segura, o preço que pagamos é o progressivo desligar das nossas opiniões partilhadas em relação à realidade que nos mantém e restringe. Esta é uma guerra que não podemos vencer. Quem caminha ao sabor do acaso e do contingente devia abrir os olhos por causa do abismo.

janeiro 29, 2009

Brain...

(c) Non Sequitur, Wiley Miller

dezembro 10, 2008

Basta

"O cepticismo não é irrefutável, mas manifestamente um contra-senso, se pretende duvidar onde não se pode perguntar." Ludwig Wittgenstein, Tratactus Logico-Philosophicus, 6.51
"Eis por que razão não faz sentido ser céptico relativamente ao problema da Imaculada Conceição assim como a tudo o que tenha a ver com a religião. Na religião não há problemas. E se na religião não há problemas também não há perguntas. E se não há perguntas não há dúvidas. Basta estar de joelhos."Ponteiros Parados, 8/Dez, José Ricardo Costa

dezembro 03, 2008

Let the kids decide


(c) 2005 The Philadelphia Inquirer.

Podíamos também ensinar ao mesmo tempo matemática e numerologia, heliocentrismo e geocentrismo, ...

setembro 15, 2008

Diferença

Olhar para a totalidade do sistema solar por séculos sem fazer o esforço de entender como o mundo funciona. Diríamos que ali estava tudo exposto, todos os factos, todas as relações entre a miríades de corpos celestes. Mas, mesmo após esse tempo todo, não teríamos obtido nada. É no esforço honesto e imparcial de entender que recolhemos conhecimento útil. Apenas coleccionar factos é mostrar tudo e dizer nada.

setembro 05, 2008

Cebolada

Querer perder os preconceitos culturais que nos restringem é uma tarefa para décadas. Se a constatação que deus não existe pode surgir rapidamente, demora uma vida perceber como a instituição secular dos seus funcionários controlou a sociedade e - preza-se a honestidade do termo - o seu rebanho. Como destruiu sistematicamente o desenvolver do pensar crítico, substituindo-o por uma subtil rede de complexos de culpa, medos e vigilância que formam o regulamento moral que nos prende. Como recusou - excepto pela intensidade das forças externas - as liberdades e as diferenças incómodas dos indivíduos que assumiu o dever de proteger. Como isso, cá por dentro, cresce connosco. Como extirpar camada a camada, a peçonha que também responde pelo nosso nome.

junho 26, 2008