Mostrar mensagens com a etiqueta interpretação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta interpretação. Mostrar todas as mensagens

março 25, 2011

fevereiro 26, 2009

Mistério

Um texto que não possui conteúdo não pode estar errado e é, assim, imune à crítica ou à passagem do tempo. Como um liquido sem viscosidade, desliza imune por qualquer tentativa de interpretação ou refutação. Contra o ruído não se ganham discussões.

fevereiro 04, 2005

Fluxo

A nossa visão do passado é distinta da dos nossos bisavôs. Será também diferente no futuro. Este passado morrerá connosco.

abril 26, 2004

Aprender

Aprender da escola a ler, contar e pensar. Dito assim, parece fácil a tarefa de aluno e professor. Mas ler não é só ler. É escrever e criar nessas mesmas palavras, é interpretar os outros, procurar sentidos, resolver e desenhar ambiguidades. Mas contar não é só contar. É ver além dos números, descobrir padrões, abstrair o Mundo nas suas invariantes, ver o geral na floresta dos particulares. Mas pensar não é só pensar. É reconhecer o passado das ideias, os caminhos percorridos por magníficos fracassos, é aprender a argumentar e a admitir que se está errado, é beber da ética dos direitos e deveres para saciar a consciência. Dito assim, do fácil pouco sobra neste curto intervalo de escola e vida.

março 18, 2004

A Linguagem Verde

Na Europa, entre os séculos XVI e XVIII, vários estudiosos escreviam textos e mesmo livros com mais de um nível de interpretação. Um para o leitor casual, para os leigos no assunto, e outros para os neófitos, os iniciados da arte em questão. A este género de linguagem chamava-se "a linguagem dos pássaros". As interpretações eram de diversos tipos:

Numéricos - A Gematria, o mapeamento das letras Hebraicas a valores numéricos que resultava num número inteiro para cada palavra. Estes números, dado o Hebraico ser o reflexo mais puro da lingua Adâmica, evidenciava relações ocultas entre conceitos aparentemente separados. Um exemplo, Cristo era considerado o receptáculo da paz, dado ambas as expressões serem associadas ao número 801.

Geométricos - A árvore Sefirótica é um grafo de dez nós, existindo 22 caminhos diferentes entre o nó superior e o inferior. Assim, em alguns textos, 22 também representa a árvore da sabedoria.

Sintáticos - onde uma palavra, frase ou dito que normalmente significaria uma coisa, podia significar outra tendo em conta o contexto comum do escritor e do leitor alvo com toda a Tradição supostamente partilhada. Este género de desvio pode ser difícil ou mesmo impossível de detectar nos dias de hoje. A História é a parte sobrevivente da imensidão contextual do Passado. Um exemplo: A linguagem dos passáros também se chamava "a linguagem verde". Porquê? Em Francês, verde é vert. E vert é como termina ouvert (aberto). Ao remover o prefixo, existe uma inversão semântica do significado (como nos prefixos 'des', 'a' ou 'in'). Logo vert que para o leigo significa verde, também significa para o iniciado o contrário de aberto. Assim, a linguagem verde quer dizer a linguagem fechada (a linguagem secreta).

Um dos motivos para este entrecruzar de significados pelos mágicos e alquimistas deveu-se aos processos inquisitoriais da Igreja. Assim, muitas coisas (com valor histórico, raramente científico) estarão escondidas nesses livros esotéricos. O problema é existirem milhares de formas diferentes de interpretar as mesmas frases. Uma vez perdido o século para o qual o texto nasceu, perderam-se essas camadas debaixo do verniz da aparência.

janeiro 24, 2004

as ideias passadas

É estranho como certas ideias fluem e refluem ao longo dos tempo, como que à procura de uma época em que sejam aceites. Outras ideias há que, pura e simplesmente, são sucessivamente desacreditadas, porque nos esquecemos que já o foram ou porque a ignorância é latente. Albert Hirschman designa de fracasomania, esta tendência a acharmos sempre que o passado é uma sucessão de erros. No entanto sem nos apercebermos, estamos frequentemente a combinar ideias passadas.

janeiro 14, 2004

Fragmentos

Somos prisioneiros do nosso tempo. Às verdades (e às outras) só as entendemos deformadas pelas convicções e preconceitos que nos definem. Podemos ler o Inferno de Dante ou a Canção de Rolando mas seriamos capazes de interiorizar o universo de um Homem medieval? Como será o aspecto de uma verdade futura? Entenderia Galileu a Teoria da Relatividade? Demócrito a Teoria Quântica? Como soaria o Ulisses de Joyce ao Ulisses de Homero?

outubro 31, 2003

Efeito Borboleta II

"Force, violence, or fraud may not be employed to bring about the conversion of an unbeliever. Such means would be sinful" - The Catholic Encyclopedia
Santo Agostinho (354-430) é um dos doutores máximos da Igreja. Os seus escritos estruturaram a teologia católica durante (pelo menos) um milénio. O motivo deste post é a aparente relevância de uma interpretação. No Evangelho segundo Lucas, num banquete onde Jesus falaria e onde os convidados tinham-se recusado a comparecer, diz-se: "Sai pelos caminhos e valados e força-os a entrar, para que a minha casa se encha.(Lucas 14:23)". S. Agostinho interpretou a frase anterior dizendo que o Novo Testamento justificava o uso da força na tentativa de conversão dos pagãos. Em breve esta interpretação foi formulada juridicamente: "Os hereges devem ser coagidos à sua própria salvação mesmo contra a sua vontade". E devido à sua autoridade, este principio tornou-se mais tarde num fundamento da Inquisição. Um pequeno deslize hermenêutico que desencadeou outros. Daqui ao resto da História foi o voo da borboleta. [1]