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abril 22, 2009

Composição

Há uma analogia próxima entre programar, escrever e compor. São actividades combinatórias que usam um número limitado de conceitos e vocabulários para produzir um ilimitado de possibilidades. No caso da escrita produz-se textos, expõe-se argumentos; na música são compostas canções, sonatas, sinfonias; na programação escreve-se programas, resolve-se problemas. Qualquer uma precisa de prática, seja de ler livros, ouvir obras, interpretar código, seja de escrever histórias, músicas ou algoritmos. Em todas existem os elementos técnicos a aprender e reproduzir pelo aluno, em todas a arte de criar e romper fronteiras do mestre.

outubro 13, 2008

Tudo ou Nada

O analógico é vulnerável como o corpo: o tempo decompõe-no, desfigura-o num processo de erosão e envelhecimento. Essa transfiguração, porém, é contínua, suave, uma sequência de pequenas diferenças que perdem, pouco a pouco, a mensagem inicial, mas que no nevoeiro do ruído que o substitui sobra algo mais que sombra e ecos. No digital tudo se mantém estável, intocável, perene. Só que a dependência do contexto, dos formatos, de leitores específicos de uma complexidade crescente, criou um caminho sem saída. E tornar-se-á inimitável se, ou quando, um dia perdermos os algoritmos e essas máquinas que os evocam.

setembro 10, 2007

Convergências

[«] Os algoritmos são objectos matemáticos e, como uma esfera perfeita ou a raiz de 2, não têm necessariamente de possuir uma existência real. Mas a vida executa uma série de processos bem definidos que podem ser vistos como aproximações da ideia de algoritmo, começando pelo código genético e todo o processo celular até, pelo menos, ao comportamento padronizado dos insectos. Porém, ao contrário da secura do mundo digital, o nosso mundo é demasiado «molhado» para se coadunar à rigidez de programações formais. Por outro lado, há algoritmos que são meta-regras extremamente flexíveis porque baseados em parâmetros que variam com o tempo e com o ambiente, permitindo uma ampla gama de possibilidades funcionais (uma simulação do tempo atmosférico, por exemplo). Como não há almoços grátis, o preço a pagar é a dificuldade de ajustar os valores desses parâmetros, altamente inter-dependendes e todos, se o modelo for económico, relevantes. Faltam-nos as dezenas de milhões de anos de «testes» que a natureza dispôs. Os nossos algoritmos são produtos de engenharia, com uma justificação e uma existência planeada? Sem dúvida, mas no ramo designado por computação evolutiva o processo de ajuste é realizado sem ajuda humana e, nesse sentido, pode originar «algoritmos desconhecidos» com propriedades surpreendentes (i.e., que nos surpreendem). Teremos de colmatar a falta de tempo com o aumento de velocidade computacional para verificar onde esta travessia nos leva.

novembro 25, 2005

q.b.

Não se comunica com o sobrenatural senão por algoritmos. Sendo o domínio do intangível, sobra-nos a experiência de sucesso e insucesso dos rituais tentados. Isto, um pouco de memória selectiva e um corpo organizado de funcionários convictos é suficiente a uma religião. O resto (morais, exegeses, a sublimação das causas) é acessório.

novembro 30, 2004

Pontos na paisagem virtual (parte IV)

A comunicação nos MUDs é síncrona e hipertextual. A sincronicidade permite a conversação em tempo real, ao contrário dos grupos de discussão ou dos emails onde uma mensagem tem um carácter mais permanente. A componente do hipertexto consiste na descrição imaginária do ambiente, dos objectos e das entidades intervenientes. Cada participante pode seleccionar os objectos que quer ver, tal como um browser pode navegar por vários links. Enquanto a página de um livro é algo fixo, o monitor transforma-se num mosaico. Troca-se a linearidade da literatura pela hipertextualidade. A experiência textual torna-se dinâmica, imprevisível, possibilita ao leitor conformar-se menos com as normas. Existe o sentimento que, na internet, as ideias falam por si. Isso, e o facto de poder construir personalidades anónimas com relativa facilidade, torna-nos mais seguros nos comentários (e na maior violência das palavras que certas pessoas tendem a usar).

A tendência moderna nas linguagens de programação (C++, Java) é a aplicação da metodologia dos objectos: tudo é um objecto! Avatares, bots, ferramentas, mobília, o tempo atmosférico e a paisagem, mesmo as instruções que manipulam o universo virtual são vistos como objectos, instâncias de conceitos abstractos designados por classes (curiosamente, parte da discussão das modernas linguagens centradas em objectos faz lembrar as 'velhas' discussões metafísicas da filosofia). Existe uma conexão forte entre o objecto a manipular e a palavra escrita para invocar essa alteração (como se tratasse de uma lingua Adâmica).

A hipertextualidade permite a construção por camadas de complexidade. A descrição e funcionalidade de cada objecto pode ser aprofundada em descrições progressivamente mais concretas. Isso ressalva o eventual excesso de abstração e simplificação que possa ocorrer inicialmente. Os arquitectos deste novo mundo devem decidir pela sua transparência ou opacidade. Qual o espaço dado à interpretação? Numa retórica digital, a transparência não é uma virtude. A transparência faz-nos olhar para o mundo para lá do texto. Porém, o texto pode ser usado como um objecto interessante de estudo e contemplação. A total transparência só poderá ser obtida com tecnologia muito evoluída, dado existirem questões (quebra do serviço, tempos de espera nas redes informáticas, falta de luz) que não permitem a imersão completa no mundo virtual (apesar de existir sentimentos que encobrem os problemas tecnológicos, como o utilizador que considerava o save uma experiência quase religiosa).

Até agora, a escrita tem sido vista como a mais pura forma de expressão. Como ferramenta de organizar pensamentos, de preservar memória. A escrita revolucionou a capacidade da Humanidade resolver e perceber problemas. Tão poderosa é a escrita que tendemos a pensar que a mente opera em si de forma linguistica ao codificar ideias. Mas escrever não é tão natural como falar, é uma conquista cultural não um facto universal. Nestes pontos de paragem virtual é testada a fusão entre escrita e oralidade. A comunicação é mais cerebral que a fala mas existe em tempo real, sendo mais dinâmica que a escrita. Torna-se difícil saber onde o pensamento termina e a escrita começa.

março 23, 2004

Dissecação


O livro de jogos de Alfonso X (Rei de Castilha e Leão, 1221-1284) e um campeonato do mundo de xadrez no início deste milénio. A evolução de um jogo que acompanha a nossa História sobre um curioso azul de fundo. No século XIII o xadrez era um universo por explorar. Hoje é um quase deserto de descobertas, dissecado por gerações de génios e softwares especializados.

fevereiro 26, 2004

Pipotrão

Acedam a uma excelente ferramenta para reforçar a dimensão de discursos políticos - o Pipotrão. Alguns exemplos:
  • Onde quer que nos leve o panorama deste início de século, não se pode abdicar de debater a soma das respostas já ao nosso dispor.

  • Confrontados com a inércia da sociedade, é necessário estudar todas as acções razoáveis.

  • Tendo em vista o panorama dos últimos tempos, não é possível passar sem ocupar a nossa mente com a totalidade das opções justas.

  • Com o estado das coisas actual, temos a obrigação de estudar a maioria das saídas sensatas.
  • O Calvin, ao que parece, descobriu um caminho semelhante:

    outubro 01, 2003

    Antigo e Moderno

    O crivo de Eratóstenes é um algoritmo com 2300 anos. Aqui está uma solução na moderna (de 1998) linguagem de programação Haskell:
    primos = crivo [2..]
    where
    crivo (p : ns) = p : crivo (filter (notdiv p) ns)
    notdiv d n = n `mod` d /= 0
    Que falta faz a semântica!