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outubro 12, 2009

Pastoreio

Ser antílope é menos exigente do que viver-se leopardo. Vai-se com o grupo, repete-se quase tudo e pensa-se quase nada. A comida, essa, é muita. Já para o felino é uma chatice: o isolamento de ser raro, a pressão do futuro imediato, a exigência sempre intensa da caça. Porém, dorme-se descansado. Homenagem ao FLV do Mar Salgado e autor do livro "Amor e Ódio"

março 22, 2007

De Soslaio


A recolher textos e fotos minhas num novo blog, Soslaio.

março 20, 2007

Redução

Há ideias que nos rasgam ao meio. Ou ditas, ou lidas ou nascidas em nós (as mais raras e intensas) são um padrão de luz concentrada a reduzir-nos ao silêncio do espanto, à humildade a princípio esmagadora desse conhecer, ao prazer de saber que agora sabemos! Como partilhar com o (nosso) mundo esta experiência? Se dito como repetir? Se lido como convencer alguém a domar centenas de páginas? ("não tenho tempo, conta aí num minuto") Se pensado como expressá-lo? Há a oralidade do discurso, há a literatura. Hoje em dia, neste presente estilhaçado, temos blogs, posts. ("num minuto? aqui vai...")

maio 20, 2004

Micro-narrativas

A blogoesfera é composta por autores, uma intricada rede de blogs e leitores. Apesar da necessidade do emissor por receptores não ser tão forte como nos media, qualquer autor gosta de leitores interessados. Isto ocorre principalmente nos blogs "profissionais" mas não deixa de reflectir-se nos alternativos menos atraídos pelas estatísticas da Technorati. Esta dinâmica favorece descrições sucintas, sem rodeios, com o menor número possível de palavras. Textos longos são lidos em diagonal, o olhar fixa-se nas poucas linhas que encerram "mensagens de sucesso".

Na literatura existem diversas micro-narrativas que exploram os limites da linguagem escrita. Pouco se explica confiando na interpretação alheia. A história contida nesse micro-relato é tão versátil quanto a imaginação voluntariosa do leitor. Tarefa arriscada quando destinado a um público amplo mas atraente pelo espartilho de simplicidade que promove. Entre os exemplos tradicionais encontramos os aforismos, os poemas Haiku, os Koan. Actualmente, destaco as Greguerías de Ramón Gomez de la Serna, os Contos de Gin Tonic do Mário Henrique Leiria e na blogoesfera, as Mil e uma pequenas histórias de Luís Ene. Até se encontram conselhos para esta nova-velha arte.

março 29, 2004

Novo ponto na Blogoesfera

Um dicionário de silêncios. Eis um projecto que tanto quanto sei ainda não se fizera. Apesar de desconhecer os motivos dessa ausência, eu e o João do Estranho Amor iniciámos um.

Há silêncios que não se perdem se os quebrarmos. Espero que este assim seja.

[adenda, Julho 2009] O Dicionário de Silêncios terminou em Março de 2006. Parte do seu conteúdo, os 100 contos finais, estão a ser revistos e republicados no blog Soslaio.

janeiro 29, 2004

Seis meses de ruminações

Fora aqueles que o fazem por motivos premeditados, manter um blog é uma actividade que oscila entre o prazer de um passatempo e a paciência de um cultivo. Torna-se comum encontrarmo-nos a pensar num tema, a ler uma ideia ou a trabalhar uma frase para estas notas acumuladas semanalmente. Pára-se o resto para escrever as fugidias palavras que receamos perder, finge-se atenção enquanto se lapida mentalmente o post de amanhã. Outras vezes, simplesmente, falta o motivo para continuar. Porque terminam metade dos blogs ao fim de um semestre? Não sei, mas talvez seja consequência da tensão entre o acto narcísico de expor aquilo que achamos interessante, estético (e que nos espelha para os outros) e a autocrítica sobre essa exposição. Uma prolonga (por vezes penosamente) o esforço enquanto outra questiona a validade do mesmo. Quando não há tensão ou o blog termina ou prossegue soterrando aquilo que merece a pena ser visto, lido, relembrado. Neste aspecto suponho ser semelhante ao ser-se escritor, que como alguém disse não é por aprender palavras novas que estes se fazem, é por haver coisas a dizer.

dezembro 17, 2003

Janelas de Oportunidade

Entre os escritores portugueses do Século XX, alguns teriam gostado do conceito e da liberdade que os blogs permitem. Sei de autores que insinuaram esse gosto (ou necessidade) em algumas das suas obras. Por exemplo, Vergílio Ferreira que nos deixou Pensar e Escrever, Bernardo Soares (Fernando Pessoa) com o Livro do Desassossego, Miguel Torga com os seus Diáriosi (que belo e transmontano blog seria) ou Saramago com os Cadernos de Lazarote. Quando lemos estes textos condensados nos respectivos livros, em sequência militar de página em página, é fácil prolongar a leitura para o próximo, fazer pontes demasiado depressa, não permitindo que o tempo nos mature as ideias de cada aforismo, de cada reflexão, de cada pesar ou deslumbramento. Os blogs (pelo menos) têm a virtude de forrar os momentos de escrita com silêncios de espera.

novembro 11, 2003

Blogs, spams e Gomi

Blogs evolved out of a desire to remove barriers to online conversation, and restricting their ability to add comments would seriously reduce the sort of lively debate that makes them so interesting.” [1]
Aparentemente, os tremendos produtores de spam estão a começar a apontar as suas armas de irritação massiva para os nossos blogs. Daqui a uns meses, vamos ter misturados nos comentários que apreciamos ler (isto quando os comentários funcionam...) informações tão úteis como ganhar facilmente mil milhões de dólares, ter um pénis 50% maior mesmo se for mulher, ser doutorado em Física Nuclear pela Universidade Virtual de Bratislava, ou observar as variantes sexuais mais milaborantes com um mamífero à escolha. É triste e gostava que se encontrasse uma solução, mas de facto não vejo como.

Os Japoneses têm um termo muito interessante, Gomi, que significa o conteúdo "excremental" que as culturas produzem. Isto incluí a música Pimba, os Big Brothers e mais 90% da TV. Também incluí, por exemplo, artigos científicos onde a arte do copy-paste e da vacuidade de conceitos pressionada pela necessidade de fazer papers afecta a Ciência actual. Mas não vejo melhor exemplo de Gomi do que os milhões de spams que infectam a Internet diariamente...

outubro 30, 2003

Gestão

A melhor forma de manter um segredo é fazer com que os outros acreditem conhecer a resposta. [1,2]

setembro 30, 2003

Big Bang

Neste post informa-se que a empresa Technorati detectou 1 milhão de blogs (!). Segundo as suas estatísticas (que não são exaustivas) 7000 blogs são criados diariamente, uma média de 1 blog a cada 12 segundos!!! Fazemos parte de um Big Bang conceptual de consequências dificilmente previsíveis.

setembro 26, 2003

"O Inferno são os outros" - mexilhão anónimo

Descobri nesta notícia "Is Google copying Microsoft tactics with Blogger?" que presumivelmente a referida empresa (que comprou o servidor de blogs onde me encontro a escrever) está a fazer dumping oferecendo os serviços mais avançados de graça. Não será esta a mesma estratégia da Microsoft? Disponibilizar serviços tão baratos que a concorrência (com menor dimensão e menos margem de manobra) nao consegue manter-se no activo acabando por falir... Gostava de ver um monópolio que favoreça o mexilhão.

setembro 25, 2003

Weblogs II

Entre os blogs, onde deve residir a Ética? Segundo A Blogger Code of UnProfessional Ethics

My readers:
...know me. They will judge me according to context.
...are smart. They will not be misled by some stray comment I may happen to make.
...are kind. They make allowances and forgive me ahead of time.
In return:
I will speak my mind about what I care about.
I will not revise too much or too carefully: Blogging about opera is still jazz.
I will not anticipate and reply to every objection: Punctilliousness in pursuit of the appearance of propriety kills voice. If I apologize, it will be because I have actually betrayed my readers' trust, not because I may have, might have, or could be misread as having done so.
I pledge to keep the reading of my weblog purely optional.
Pede-se que os leitores sejam inteligentes, conheçam o(s) autor(es) e que «olhem» para os conteúdos «amigavelmente». Talvez seja pedir demais, um processo de amenização subsequente desresponsabilização. O conteúdo de um blog, em termos temporais, reside entre um jornal e um livro. Já o conteúdo, em termos informativos, deve (digo eu) reger-se pelas mesmas linhas de valores que a Ética da comunicação sublinha.

Há, pelo menos, uma diferença em relação aos jornais e aos livros que gostava de salientar. Um blog pode ser alterado em tempo real (um livro também, entre edições, mas as primeiras por cá ficam). Será que é lícito remover uma mensagem passada, ou alterar a sua mensagem de fundo? Será admissível a rescrita de um blog? Serão micro-revisionismos, que modifiquem o sentido da mensagem, aceitáveis? Estarão estes mecanismos fora do âmbito de uma auto-censura? A minha resposta (que vale o que vale) a estas perguntas é não.

ps: falei de auto-censura. Quanto mais bom senso houver, menos se falará desse perigoso instrumento castrador que é a censura (e que detesto).
pps: curiosamente, durante a escrita deste pequeno texto encontrei uma notícia específica sobre a questão de alterar conteúdos de blogs.

setembro 22, 2003

Weblogs I

Segundo este ensaio, de Rebecca Blood, os weblogs existem, pelo menos, desde 1997, apesar que na altura eram tão poucos que seria possível a um indivíduo segui-los todos. A partir de 1999, com a formação de websites dedicados à gestão de blogs, aconteceu uma explosão de blogs do mais variados tipos, e passou a ser difícil criar uma lista de ocorrências (hoje em dia, criar uma lista de todos os blogs é, na prática, impossível).

Um blog é um filtro da internet, é um dado ponto de vista do seu criador (não digo “o” ponto de vista, porque o ciberespaço estimula o esquizofrénico que há em nós :-). Pioneiros na arte do micro-conteúdo, os autores dos blogs procuram sumários (como este), resumos de ideias, factos, linhas de raciocínio que possam ser digeridos em poucos minutos através da maleabilidade do hipertexto. Talvez um reflexo da constante aceleração do progresso, do brilho atraente do instante a reflectir o perene, e das formas inteligentes de envernizar o profundo com o superficial. Infelizmente, isto não engloba todos os blogs (provavelmente nem a maioria) mais preocupados com outros tipos de exercícios como o egocentrismo ou a desinformação.

Uma citação de Greg Ruggerio (ver Immediast Underground): "Media is a corporate possession...You cannot participate in the media. Bringing that into the foreground is the first step. The second step is to define the difference between public and audience. An audience is passive; a public is participatory. We need a definition of media that is public in its orientation." [cont.]