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dezembro 08, 2015

Education

There is a critical aspect that every anarchist proposal should discuss: the secular education of every child. Modern democratic States have many flaws. They are inefficient and corrupt, they are ruled by oligarchies, hopelessly mixing corporation and government interests that have little to do with the needs of we the people. However they provide universal education. I wouldn't want any of us to have the sole word on the indoctrination of our children. It's a terrible danger to be brainwashed only by our parents. And yes, every person is a brainwashed human. What every one of us is, thinks and beliefs, depends on the society we are born into and the people we grow-up with. But diversity of views -- from our parents, our teachers, the mass media, the internet, our friends -- helps immunize us against radical pathologies of belief. Without a central organization to enforce universal education, which means structured education outside family or an inner-community domain, how this potential danger is dealt in an anarchic society?

julho 06, 2009

Três E's

Para muitos dos problemas actuais há três áreas do saber fulcrais para sermos capazes de analisar as informações que nos estão disponíveis e formar uma opinião crítica. Elas são a Estatística, a Economia e a Ética. Vejamos brevemente cada uma. A matemática como é dada presentemente, depois da aritmética, geometria e álgebra, tem muito do seu tempo atribuído ao estudo das funções, dos limites e do contínuo, i.e., das bases da análise e do cálculo que, apesar da sua importância na tecnologia e em muitas ciências, não é relevante no dia-a-dia da maioria das pessoas e, deste modo, fornece argumentos à sua falta de utilidade prática. Porém, as noções de probabilidade, os defeitos e virtudes do aleatório e da informação incompleta, as estimativas e outros conceitos relacionados encontram-se diariamente nos jornais, na recolha e avaliação dos factos, nas decisões legais, médicas ou políticas. E sendo conceitos que os seres humanos têm dificuldade inata (estudada e documentada) em analisar e comparar, mais um motivo haveria para a sua relevância e urgência. Já a importância da Economia, numa sociedade complexa como a nossa, onde decisões ideológicas que sacrificam a razão económica só não são consideradas crime (nos cenários aquém da catástrofe explícita) pela nossa razoável ignorância nesta área. Mesmo que diferentes prioridades económicas sejam resultado de políticas igualmente defensáveis (por exemplo, investir mais na saúde do que na educação, ou vice versa), outras decisões há, populares, eleitoralistas, sectoriais, que são objectivamente prejudiciais à riqueza comum da sociedade, favorecendo poucos e prejudicando muitos. Somente uma população informada do ABC económico seria capaz de distinguir estes tipos de decisões e impedir políticas empobrecedoras que, deste modo, escapam ao escrutínio público. Finalmente, a Ética: aprender os fundamentos deste saber, analisar a sua história passada para melhor ver as limitações do presente, entender o quão relevante é a liberdade do outro e reflectir nos argumentos sobre a justiça, a igualdade política ou a dimensão e as restrições do estado. Tudo isto é essencial para esclarecer e justificar uma base às questões e problemas que se nos deparam como indivíduos, como elementos de maiorias e minorias, como sociedade. É uma coincidência todas começarem por E mas a Estatística, a Economia e a Ética possuem outra coisa em comum e esta não é por acaso: todas são exercícios racionais sobre recursos limitados. Também, nesse aspecto, são pontes importantes entre nós e a realidade que gerimos, dádivas a esse difícil de se ser adulto.

abril 22, 2009

Composição

Há uma analogia próxima entre programar, escrever e compor. São actividades combinatórias que usam um número limitado de conceitos e vocabulários para produzir um ilimitado de possibilidades. No caso da escrita produz-se textos, expõe-se argumentos; na música são compostas canções, sonatas, sinfonias; na programação escreve-se programas, resolve-se problemas. Qualquer uma precisa de prática, seja de ler livros, ouvir obras, interpretar código, seja de escrever histórias, músicas ou algoritmos. Em todas existem os elementos técnicos a aprender e reproduzir pelo aluno, em todas a arte de criar e romper fronteiras do mestre.

fevereiro 02, 2009

Movimento Browniano

Trivializar não é trivial. Os assuntos relevantes ao tecido social (por exemplo, a economia, a estatística, a ética) não podem ser comprimidos em cinco minutos de exposição e muito menos no aforismo televisivo de dez palavras. Quanto mais invasiva e instantânea for a propaganda e a comunicação social, maior será a tendência de substituir a ideia correcta pela simplificação do que soa bem ao senso da multidão. Seja porque é deles o voto e as audiências, seja porque o argumento da maioria parece sempre uma aposta segura, o preço que pagamos é o progressivo desligar das nossas opiniões partilhadas em relação à realidade que nos mantém e restringe. Esta é uma guerra que não podemos vencer. Quem caminha ao sabor do acaso e do contingente devia abrir os olhos por causa do abismo.

janeiro 12, 2009

Auctoritate

"Na sua essência, a autoridade não consiste em mandar: etimologicamente, a palavra vem de um verbo latino que significa «ajudar a crescer». A autoridade na família deveria servir para ajudar a crescer os membros mais jovens, configurando o que poderemos chamar o «princípio da realidade». Este princípio é a capacidade por parte de cada um de limitar as próprias inclinações tendo em vista as dos outros, e de adiar ou temperar a satisfação de alguns prazeres imediatos tendo em vista o cumprimento de objectivos a longo prazo. É natural que as crianças careçam de experiência vital imprescindível à compreensão da sensatez racional desta exigência, pelo que esta deve ser-lhes ensinada. As crianças - verdade óbvia, mas frequentemente esquecida - são educadas para virem a ser adultos, e não para continuarem a ser crianças." Fernando Savater, O valor de Educar

dezembro 03, 2008

Let the kids decide


(c) 2005 The Philadelphia Inquirer.

Podíamos também ensinar ao mesmo tempo matemática e numerologia, heliocentrismo e geocentrismo, ...

setembro 26, 2008

Bifurcação

A educação, por natureza, é conservadora nos conteúdos que ensina. Ela pretende preservar um corpo de conhecimentos considerados úteis a quem aprende bem como necessários à permanência da sociedade em questão. Tendo em conta a relação que se pretende que o futuro adulto tenha em relação ao Outro diferente, estes conhecimentos podem ser negativos (no alimentar de nacionalismos extremados, fanatismos, xenofobias, dogmas) ou positivos (no primado da razão e da ética, aos princípios e à tolerância, ao argumento crítico, à coragem e à prudência). Para os responsáveis, uma escolha tão clara como terrível.

abril 01, 2008

Posta de Pescada

Talvez o maior problema das nossas escolas (e digo talvez porque isto de métricas tem que se lhe diga) não seja o português, a matemática, a falta de respeitinho ou o inverso de laxismo, mas a ausência de sentido crítico com a necessária dose de liberdade e a suficiente de responsabilidade para o exercer. Quando este dilema (deverei dizê-lo?) filosófico for endereçado, o resto será menos difícil para todos.

abril 01, 2005

Aula

Uma aula não deve ser uma eucaristia. Nesta há o assegurar de um hábito, a tranquilidade do gesto repetido, a força da palavra que é pedra de margem, a serenidade de um deus responsável pelos alicerces da Terra. Numa aula há o incómodo da coisa nova, o difícil desenrolar de uma história, a força da palavra que é ideia de ponte, o aprender que de milagres apenas este de sermos.

fevereiro 22, 2005

Modos

Há uma grande diferença entre ensinar apelando à convicção ou à confiança. E este problema é partilhado quer por doutores de Religião quer por professores de Ciência.

novembro 23, 2004

Aos Georges Bushes (XIII)

Aprender a aprender demora o seu tempo.

junho 07, 2004

Aproximação

Aprendemos e ensinamos por sucessivas aproximações do que achamos ser verdade. Aproximação é palavra suave para dizer mentira. Não tem grande mal enquanto nos lembrarmos disso. Aluno e professor.

abril 26, 2004

Aprender

Aprender da escola a ler, contar e pensar. Dito assim, parece fácil a tarefa de aluno e professor. Mas ler não é só ler. É escrever e criar nessas mesmas palavras, é interpretar os outros, procurar sentidos, resolver e desenhar ambiguidades. Mas contar não é só contar. É ver além dos números, descobrir padrões, abstrair o Mundo nas suas invariantes, ver o geral na floresta dos particulares. Mas pensar não é só pensar. É reconhecer o passado das ideias, os caminhos percorridos por magníficos fracassos, é aprender a argumentar e a admitir que se está errado, é beber da ética dos direitos e deveres para saciar a consciência. Dito assim, do fácil pouco sobra neste curto intervalo de escola e vida.

julho 31, 2003

"O que é pior: a ignorância ou a indiferença? Não sei nem quero saber!"

É normalmente aceite que a falta de exercício físico afecta negativamente o corpo. Alguém activo fisicamente tem mais possibilidades de chegar a uma velhice saudável. Já nem todos aceitam (ou sequer pensaram no assunto) é que a falta de exercício mental afecta a própria mente. Alguém inactivo mentalmente vai perdendo capacidades, da mesma forma que alguém que se mantém parado, as perde também. Ao fim de uns anos, a eventual corrida é mais lenta, custa mais a respirar. Também ao fim de uns anos, o eventual raciocínio é menos preciso, a concentração diminui.

Sentar-se, por sistema, no sofá a ver TV (a sintonia é irrelevante, está a dar televisão em todos os canais) parece ser o zénite das duas desactividades reunidas: não nos mexemos nem pensamos! Isolados na camada protectora das almofadas e dos raios catódicos, assinamos lentamente a nossa certidão de incapacidade. Se esta situação é dissiminada nas pessoas mais velhas (e até compreensível - dado a maior parte do nosso triste século XX), mais perturbante é o impacto nos jovens. Esta falta de vontade intelectual resulta, pelo menos, em três níveis de incapacidade:

1º) A ignorância da Matemática - aqui não me refiro somente aos problemas típicos de resolver equações nas salas de aulas, mas sim à incapacidade lógica, à falta de noção numérica, à dificuldade de abstracção que muitos têm. Consequências? A falta do conhecimento lógico permite que estejamos muito mais susceptíveis a falácias, a raciocínios distorcidos causas de problemas sociais graves. Um exemplo de um mau raciocínio: se "B é verdade" e "se A implica B", então "A é verdade". Trocando A por "a raça/grupo X é prejudicial à sociedade" e B por "alguns indivíduos da raça/grupo X causam problemas", temos um vislumbre destes problemas. A ignorância numérica (a inumeracia) resulta, nos jornais, nos milhões trocados por milhares, na total incapacidade de comparar valores, de os relativizar com percentagens, a inutilidade de certas estatísticas e das suas interpretações. A falta de abstracção revela-se na aprendizagem de conceitos novos, numa confrangedora inépcia para generalizar, de induzir correctamente (um dos motores da Ciência e da sobrevivência).

2º) A ignorância do Português (da linguagem propriamente dita) - a nossa língua é o meio privilegiado para comunicarmos como sociedade. É através dela que entendemos conceitos complexos e estabelecemos uma vivência social que doutra forma seria impossível. Aprender a língua nativa, mesmo que seja um acto instintivo, é uma actividade que permite recolher múltiplos reflexos de toda uma cultura, com a sua riqueza histórica, com a sua diversidade natural, produto de milhões de pessoas. É possível que esta aprendizagem seja também relevante na definição da nossa mente, que estrutura a forma de pensar, de interpretar o que ouvimos, lemos e sentimos. Alguém com dificuldade de expressão, mesmo com uma boa faculdade de raciocínio tem a capacidade de argumentação limitada (um exemplo disso, é quando se tenta discutir numa língua aprendida já na fase adulta). É mais difícil exprimir o que se pensa. Mas ainda é pior: essa incapacidade também se estende à interpretação: não se entende o que se a lê. E isso deforma a educação num ciclo vicioso terrível. Se não formos capazes de interpretar, como se pode aprender? E se não formos capazes de aprender, como melhorar a interpretação do mundo que nos rodeia?

3º) A ignorância da Filosofia – não estou a falar especificamente de Platão, Tomás de Aquino, ou Kant. Refiro-me à incapacidade de pensar no seu profundo sentido. A Filosofia refere-se ao acto de estruturar um pensamento, de planear um argumento, de organizar várias linhas de raciocínio, de construir um texto, um parágrafo, uma linha (não me serve saber escrever se não tiver nada para dizer). A Filosofia também se encontra nos conceitos da Ética (a Justiça, o sentido de respeito, o respeito à verdade, até do humor, a "irredutível expressão da ética", como Daniel Pennac reparou) e do livre arbítrio (da liberdade e da enorme responsabilidade que daí advém). Quando perdemos a capacidade de pensar por nós mesmos, de tomar decisões adultas honestas, desgastamos aquilo que lentamente nos separou dos animais e que a Civilização tanto lutou para construir.

Estamos perante uma tragédia em câmara-lenta, as mais difíceis de lutar porque pensamos que há sempre tempo para as resolver num outro dia... Quem sabe ou quem quer saber?