Mostrar mensagens com a etiqueta fanatismos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fanatismos. Mostrar todas as mensagens

outubro 08, 2018

Focus

An illustration of [the] single-minded corporate focus on financial returns can be seen in a conversation between biologist Paul Ehrlich and a Japanese journalist. Ehrlich observed that the Japanese whaling industry was at risk of exterminating the whales that were the source of its wealth. The journalist responded: “You are thinking of the whaling industry as an organization that is interested in maintaining whales; actually it is better viewed as a huge quantity of [financial] capital attempting to earn the highest possible return. If it can exterminate whales in ten years and make a 15% profit, but it could only make 10% with a sustainable harvest, then it will exterminate them in ten years. After that, the money will be moved to exterminating some other resource.” -- Jeremy Lent, The Patterning Instinct

setembro 22, 2009

Axiomas e Dogmas

Qualquer ideologia - qualquer sistema de olhar para o mundo com uma certa finalidade - que se baseie num ou outro livro «sagrado» (seja uma Biblia, seja um Capital) padece do mal da heresia. Ao dogmatizar as milhares de frases do livro que a criou, dá demasiada importância à interpretação das mesmas, tornando essa interpretação uma ferramenta de poder. Qualquer divergência, qualquer desviar do dogma consensual, é um desafio e uma ameaça, um canal aberto por onde as massas podem desaguar e que deve ser fechado pelos meios que esse poder dispõe. Um pequeno conjunto de axiomas simples necessita de um esforço continuo de argumentação racional para acompanhar e vigiar uma dinâmica de sociedade. Já uma imensa lista arbitrária e incoerente de preceitos apenas se sustenta através da força opaca do acreditar.

abril 27, 2009

Segundo R.M.Hare um acto ético deve parecer justo aos envolvidos na acção, devendo eu sugeri-lo quer ganhe ou perca com a sua execução. Porém, uma decisão ética pode ser demasiado complexa para calcular, no tempo disponível, qual a melhor opção a tomar. Por isso a utilidade da existência de regras éticas aplicáveis a uma maioria de situações normais que - não sendo verdades absolutas - demonstraram-se guias úteis e geralmente eficazes. Mas para as situações extraordinárias precisamos de tempo, reflexão e, muitas vezes, da total capacidade da nossa consciência colectiva e intelecto. Tentar forçar uma regra para lá do seu domínio ou período de aplicação é fonte de muitas tragédias quer pessoais quer históricas. [1]

março 13, 2009

Gestão

Para definir e manter um grupo, para assegurar as vantagens de ser-se parte e cobrar a despesa dessa participação, é necessário que a fronteira que o define se destaque e que não seja fácil de cruzar, mudar ou esbater. É preciso que o respectivo regulamento seja tão díficil de actualizar como os comportamentos partilhados pela conquista da comunidade. É preciso que o preço seja alto para o serviço ter valor. É preciso que os preconceitos desfavoreçam a intimidade com o estrangeiro para que só se encontre dentro, com os seus, o que se necessita. Quanto mais coesa for uma comunidade, quanto maior for a confiança cega entre os seus membros, maior será o medo de uma dissolução, do evaporar desse centro ordenado pela caótica mudança da periferia, mais fácil o cultivar de um sentimento xenófobo em relação aos outros. Ao reduzir e simplificar o social, ao limitar o favorecimento aos eleitos, movimentos como nacionalismos, sexismos, fundamentalismos ou racismos nunca serão soluções morais para as questões que pretendem resolver ou minimizar. Prescrever fronteiras para classificar pessoas é, infelizmente, uma velha e lucrativa fórmula de gerir recursos e criar problemas.

fevereiro 23, 2009

Custo-Benefício

Os líderes religiosos acreditam num paraíso eterno pós-morte. Isto significa que a nossa vida actual é menos que um grão num Universo de experiências por obter. Deste ponto de vista é perfeitamente lógico que se invista menos na felicidade ou liberdade terrena e mais no sacrifício do regulamento moral que dá entrada nesse clube celestial. O ganho é tão grande (é infinito) que justifica qualquer acção humana (porque finita) nesse sentido, incluindo autos-de-fé ou aviões a entrar por arranha-céus. O problema disto tudo é que a premissa inicial é falsa e, assim, todo este esforço resulta numa imensa tragédia que se arrasta há milénios e que consome centenas de milhões num delírio infantil.

janeiro 08, 2009

Analfabetismo

Antes da Torah, da Bíblia ou do Corão, os deuses não sabiam escrever. Os textos sobre o sagrado não eram sagrados, eram somente humanos e por isso sujeitos a contestação, discussão e correcção. Já a palavra revelada é perene. O problema é não o serem as pessoas e o mundo.

setembro 26, 2008

Bifurcação

A educação, por natureza, é conservadora nos conteúdos que ensina. Ela pretende preservar um corpo de conhecimentos considerados úteis a quem aprende bem como necessários à permanência da sociedade em questão. Tendo em conta a relação que se pretende que o futuro adulto tenha em relação ao Outro diferente, estes conhecimentos podem ser negativos (no alimentar de nacionalismos extremados, fanatismos, xenofobias, dogmas) ou positivos (no primado da razão e da ética, aos princípios e à tolerância, ao argumento crítico, à coragem e à prudência). Para os responsáveis, uma escolha tão clara como terrível.

junho 16, 2008

Fendas

Poderão ser os fanatismos e superstições consequências mentais de certos contextos sociais (de pobreza, de medo, de falta de opções) da mesma forma que as doenças, como a tuberculose ou a sida, o são para o corpo? Se cada contexto social (um ecossistema mental usando uma metáfora biológica) propícia um pano de fundo, um espaço de possibilidades para o desenvolvimento de patologias (como a gripe se multiplica no frio e a malária no calor), que tipo de patologias origina um ambiente de liberdade, de excesso de opções? Irresponsabilidade? Indiferença e indecisão? O tédio?

abril 14, 2008

(In)tolerância

Dizer que todas as culturas são iguais, e que devemos respeitar e não interferir em qualquer hábito social do Outro, por muito aberrante que nos pareça, soa a civilizado e bem pensante. Mas aceitando isto, de onde se conclui que deve o mais forte ser tolerante e respeitador? Se uma civilização decidir extinguir outras, não deveríamos então respeitar e não interferir nesses seus hábitos sociais?

abril 07, 2008

Passo a passo

"Aqueles que te convencem de absurdidades são os que te podem levar a cometer atrocidades" - Voltaire

maio 09, 2007

Desenho

Qualquer definir de fronteira é arbitrário. Por isso, cada vez que criamos uma é preciso questionar a bondade ou a justeza dessa nova linha desenhada. E desconfiar, principalmente, daqueles que nela se revêem.

abril 05, 2007

Sugestão de leitura

There's time to spare. This is one of the things I wasn't prepare for - the amount of unfilled time, the long parentheses of nothing. Time as white sound. If only I could embroider. Weave, knit, something to do with my hands. I want a cigarette. I remember walking in art galleries, through the nineteen century: the obsession they had with harems. Dozens of paintings of harems, fat women lolling on divans, turbans on their heads or velvet caps, being fanned with peacock tails, a eunuch in the background standing guard. Studies of sedentary flesh, painted by men who'd never been there. These pictures were supposed to be erotic, and I thought they were, at the time, but I see now what they were really about. They were paintings about suspended animation; about waiting, about objects not in use. They were paintings about boredom.

But maybe boredom is erotic, when women do it, for men. Margaret Atwood, The Handmaid's Tale

fevereiro 14, 2007

Invariantes

[Segue um resumo desta página: www.snopes.com/quotes/goering.htm]

Sweating in his cell in the evening, Goering was defensive and deflated and not very happy over the turn the trial was taking. He said that he had no control over the actions or the defense of the others, and that he had never been anti-Semitic himself, had not believed these atrocities, and that several Jews had offered to testify in his behalf. If [Hans] Frank [Governor-General of occupied Poland] had known about atrocities in 1943, he should have come to him and he would have tried to do something about it. He might not have had enough power to change things in 1943, but if somebody had come to him in 1941 or 1942 he could have forced a showdown. (I still did not have the desire at this point to tell him what [SS General Otto] Ohlendorf had said to this: that Goering had been written off as an effective "moderating" influence, because of his drug addiction and corruption.) I pointed out that with his "temperamental utterances," such as preferring the killing of 200 Jews to the destruction of property, he had hardly set himself up as champion of minority rights. Goering protested that too much weight was being put on these temperamental utterances. Furthermore, he made it clear that he was not defending or glorifying Hitler.
Later in the conversation, Gilbert recorded Goering's observations that the common people can always be manipulated into supporting and fighting wars by their political leaders:
We got around to the subject of war again and I said that, contrary to his attitude, I did not think that the common people are very thankful for leaders who bring them war and destruction.

"Why, of course, the people don't want war," Goering shrugged. "Why would some poor slob on a farm want to risk his life in a war when the best that he can get out of it is to come back to his farm in one piece. Naturally, the common people don't want war; neither in Russia nor in England nor in America, nor for that matter in Germany. That is understood. But, after all, it is the leaders of the country who determine the policy and it is always a simple matter to drag the people along, whether it is a democracy or a fascist dictatorship or a Parliament or a Communist dictatorship."

"There is one difference," I pointed out. "In a democracy the people have some say in the matter through their elected representatives, and in the United States only Congress can declare wars."

"Oh, that is all well and good, but, voice or no voice, the people can always be brought to the bidding of the leaders. That is easy. All you have to do is tell them they are being attacked and denounce the pacifists for lack of patriotism and exposing the country to danger. It works the same way in any country."

fevereiro 05, 2007

Memória


Como legenda desta foto: 16 Abril. Estes trabalhadores escravos da Rússia, Polónia e Holanda internados no campo de concentração de Buchenwald pesavam, em média, 80 Kg, onze meses antes de entrarem no campo. Na altura da foto pesavam cerca de 35 Kg. Muitos morreram de fome mesmo depois das tropas americanas da 80ª divisão terem controlado a área. [Consulte o arquivo destas e de outras fotos até agora classificadas (link via Kontratempos])

dezembro 06, 2006

Diminishing Returns

Quando alguém promete acabar com uma dada característica social como o crime, o consumo de drogas, o insucesso escolar, a mortalidade ou o trabalho infantil, o suicídio, a escravatura... está simplesmente a ser demagógico (ou ignorante). Não é possível eliminar por completo qualquer fenómeno não trivial que surja naturalmente na dinâmica de uma sociedade humana. Pode-se procurar soluções para reduzir percentualmente (por exemplo, para metade) estes respectivos fenómenos. Mas quanto maior for a redução desejada, mais esforços e recursos terão de ser alocados, mais responsabilidade terá de ser assumida pelo estado e/ou aos cidadãos, outros problemas não terão atenção. É que há sempre uma fronteira para lá da qual o esforço exigido torna-se contraproducente, desencadeando efeitos secundários mais graves que os problemas que se procuram resolver. Pode parecer pessimista mas existem outras características que, num caso invertido, num totalitarismo, possuem a mesma dinâmica: a vontade de ser livre para escolher e expressar crenças e desejos, de formar comunidades, de ter filhos e amigos, amar.

outubro 18, 2006

Premonição...


...da guerra civil (Salvador Dali)

A maioria das fotos europeias das décadas de 1910 e 1930 partilham, para mim, um peso opressivo. Não é o preto e branco (que talvez ajude) nem o ar tipicamente triste das caras que, imóveis e de frente à câmara, vemos fixadas. É por retratarem os períodos imediatamente anteriores às terríveis guerras que lhes seguiram, a um conjunto antagónico de fetos políticos que cresciam, imperceptíveis, perante as vidas normais dos retratados. Como a lembrar que o presente não nos leva, necessariamente, ao futuro que queremos.

setembro 18, 2006

-ismos

O dar-se primazia a preconceitos de estimação relegando o bem-estar de terceiros tem muitos e variados nomes. Como designar alguém que, idealmente, não o fizesse?

julho 13, 2006

Desproporcionalidade

A técnica primitiva "Olho por olho, dente por dente" não deixa todos cegos e desdentados. Ela afecta apenas uma infeliz parcela de quem se mete na desnecessária violência das coisas. Já "Dois olhos por olho, dois dentes por dente" é receita de cegueira e problemas dentários generalizados.

março 30, 2006

Drª Pinto

Essa dificuldade conceptual de encontrar frases novas não é das piores coisas que pode acontecer. Eu, por exemplo, está-me sempre a cair a tecla para escrever manhã submersa, começar livros com 'chama-me ishmael', usar bengalas tipo é assim, de facto, pronto(s), inserir estrategicamente mira ali os lírios do campo e afirmações outras em segunda mão (e é um esforço do caraças parar estes apetites imediatos de sucesso garantido, mas sem suor faz-se pouco). São tantos os livros novos que de certeza que não há frases suficientes e diferentes para todos. A senhora, pelo menos e de vez em quando, lá vai usando as que se lembrou em anos passados, tempo suficiente de intervalo neste mundo em aceleração. De qualquer forma, o mercado que a sustenta nem se interessa por isso (apesar de desconfiar que reparam no efeito pois um público é um público e diz a estatística - ou podia dizer - que há sempre alguém mais esperto que nós a ler). Esta história nossa dos posts é quase o mesmo. Poderia ir buscar outros meus de 2004 e repeti-los agora que os meus sete leitores não davam por nada (eu tento não os insultar, logo do que poderiam eles lembrar-se?). Repetir até pode ser saudável, a gente engana-se na transcrição e regurgita-se uma coisa melhor (é assim que a Evolução funciona). Mas daí a invocar tribunais, providências e intenções de censura? Não se faz... Censura, no máximo, a nossa a nós próprios e em doses curtas de bom gosto. É que o resto facilmente se transforma em mau cheiro que depois não se despega.

novembro 18, 2005

Diluição

É-nos desconfortável o espaço das opções por tomar. Preferimos o acto que as elimina mesmo sabendo que depois, quando tudo se torna irreversível, não fazemos falta ao que é preciso executar. O impossível da mudança mata a pessoa que nos distingue.