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setembro 13, 2011

Justificações Post-Hoc

"Humans are very good as seeing patterns, making connections, and coming up with explanations for phenomena. Almost anything can be explained in retrospect, and it only takes a couple of apparent connections to make such explanations seem compelling. That is actually the fatal flaw of such post-hoc reasoning – it can be used to explain anything. Therefore, the fact that someone can invent a post-hoc justification is not predictive that the explanation is actually true. In other words – we tend to be naively impressed with the fact that an explanation is available. We tend to assume that a phenomenon would not have an explanation, or alternative explanation, if that explanation were not true. We therefore find it satisfying, and therefore compelling, when such an explanation is available. However, the human capacity for invention and pattern seeking is profound. We can find an explanation for anything – and so the availability of such an explanation should not be compelling at all." - Juicy Post-Hoc Reasoning, Steven Novella

março 08, 2011

Heresias

A Heresia é um crime de pensamento. Ela que ocorre quando se rejeitam dogmas da religião ou ideologia em questão. Quando o limite imposto ao que é aceite como modelo ou verdade se baseia num arbitrário tradicional, qualquer reavaliação crítica vê-se perante uma resposta violenta. Não é possível dialogar com uma corporação religiosa ou ideológica que se proclama revelada. Sustenta-os a palavra que é dogma, seja de origem divina, profética ou fossilizada numa obra secular. E essa palavra, uma vez em acção, não se altera pacificamente porque não é no argumento racional que encontra forças. É surda e agressiva, conservadora do poder que obteve na sorte do processo histórico.

A história da Igreja Católica é milenar. Tendo em conta o número de dogmas impostos ao longo dos séculos, muitos deles derivados de questões políticas ou de lutas de poder (como no concílio de Niceia) mas que há muito perderam significado. Por isso, não é surpreendente o número de heresias erradicadas pelo ramo mais bem sucedido do cristianismo. Entre a extensa lista, encontrei dois exemplos de heresia que usavam a racionalidade como arma.

Monarquianismo: Assentavam na natureza única de deus que implicava a rejeição da trindade. Estas heresia nasceu nos séculos II e III. Os seus seguidores estudavam os textos sagrados através de silogismos e eram admiradores de sábios como Euclides, Aristóteles ou Galeno. Houve vários ramos desta heresia, como os Modalistas, e diz-se que sobreviveram de uma forma ou de outra até ao século IX. [1]

Socinianismo: Esta também é uma heresia sobre a natureza de deus. Dois irmãos de sobrenome Sozinni na Polónia em meados do séc. XVI. A opinião herege era igualmente a negação da trindade por negar a unidade de deus. Neste caso, deus é uma entidade única sendo o espírito santo o seu poder. Assim, ao promover a unicidade, cristo não poderia ser uma entidade humana e divina. E isso implica negar a divindade de Jesus bem como a sua pré-existência. A Bíblia era autoridade apenas quando interpretada através da razão [1, 2]. Esta crença teve um grande impacto na Europa de Leste, tendo durado cerca de um século antes de desaparecer.

abril 13, 2010

Conquista

Há uma ideia que, espero, conquistará o mundo: somos todos iguais no sentido em que devemos ter os mesmo direitos, obrigações e oportunidades mas somos diferentes nas capacidades, nas crenças e nos gostos. Esta ideia, um pouco como a evolução, é um diluente universal, dissolvendo preconceitos opressores de minorias e desviantes. Ninguém é especial ou escolhido, nem povos, nem pessoas nem deuses. Não há nações melhores que outras, não há gostos nem crenças especiais, vícios ou virtudes absolutas, ninguém tem a última palavra nem há dogmas finais. Resta, a cada um, a liberdade possível e a responsabilidade das acções que comete. Nisto, a comunidade é apenas um meio (e nesse apenas, tanto) e não um fim. Um facilitador e não um normalizador. Um palco para o escrutínio público produzir conhecimento e não uma muralha para defender crenças arbitrárias. Um amigo exigente, não um pai.

janeiro 12, 2010

Crença e Conhecimento

"Conhecimento é uma crença que passou, com sucesso, pelo crivo crítico do escrútinio público [...] Todo o conhecimento é temporário. [...] Acreditar em algo errado nunca é um crime, mas acreditar simplesmente é nunca ter conhecimento. A ciência liberal não restringe as crenças mas restringe o conhecimento." Jonathan Raugh, Kindly Inquisitors

"Conhecimento garantido e textos fixos, como empregos garantidos e preços fixos, criam dependências. Se estás habituado a depender de uma ortodoxia e ela falha, é mais provável procurares uma nova ortodoxia do que procurares pelos erros da primeira." Yuri P. Maltsev [citado no Kindly Inquisitors]

novembro 16, 2009

Resolução

A resolução racional de um problema depende não só do problema mas também do seu contexto. A solução encontrada por uma cultura distante no tempo ou no espaço pode ser muito diferente da nossa, mesmo que essa solução, na altura, fosse a melhor possível (e quase nunca é, agora ou no passado). Querer forçar soluções obsoletas sem considerar as distinções presentes é um caminho para a criação de novos e até maiores problemas.

setembro 19, 2009

setembro 14, 2009

Religião Aplicada

A fé é o inverso da razão, a sua némesis. Nenhum dos seus frutos pode resultar em algo útil para a humanidade. Seria possível imaginar uma religião sem fé se os deuses existissem, se estes deixassem, no mundo, marcas profundas e suficientes padrões para que, após um período de adaptação, um conjunto de ritos os permitissem aplacar. Seria um exemplo de religião aplicada, uma versão científica para lidar com superforças naturais e conscientes. Mas os deuses não existem e, assim, as religiões têm de se basear em asserções de fé, na crença inane que sai tanto mais fortalecida quanto menor for a evidência apresentada a seu favor pela realidade.

julho 01, 2009

Mistura

Somos movidos por entre vagas de razões e emoções. Sem as primeiras seríamos um mover de causas e efeitos sem nada em nós, um sobrepor de tudo em todos. Sem as segundas apenas estátuas, redes lógicas infinitas mas incapazes de justificar um motivo, escolher uma palavra, mover um dedo.

junho 20, 2009

Metafísica Mínima

A realidade (conceito coreáceo) é a fonte e restrição do nosso conhecer. As abstracções que fazemos são ou simplificações ou extensões de coisas concretas ou possíveis. Há apenas um total constante de energia que, sujeito à teimosia de certas regularidades locais, teve milhares de milhões de anos para se combinar e criar inúmeras complexidades. Para além disso, o nada. Como se fosse preciso mais alguma coisa.

março 26, 2009

A montanha e o rato

O mundo é complexo e não tende a melhorar. Como pode sobreviver o espírito crítico individual a tanta diversidade, a tantas opiniões fundamentais - e fundamentadas - defendidas em milhões de livros, revistas e jornais? Restringir a opinião crítica à respectiva área especializada pode parecer razoável mas arriscamos a ser autómatos que papagueiam opiniões alheias em tudo o resto. Que tarefa esta de defender o razoável que é nosso contra o sublime proclamado por inúmeros sábios do passado e presente.

março 12, 2009

Prioridades

Não devemos defender ou favorecer um grupo que nasceu em X, que fala Y, que venera Z ou que se governa em W. Devemos estar do lado dos que partilham os valores dessa razão a que chamamos ética.

fevereiro 12, 2009

Sustentação

"Quando não temos argumentos válidos em defesa do que consideramos um «bom» comportamento, é a nossa concepção de bem que se revela deficiente" Bertrand Russel

novembro 17, 2008

Extremos

As emoções não são o inverso da razão. Pode-se tanto ser inteligente e emotivo como estúpido e frígido. É verdade que um excesso de emoções perturba a decisão racional, como o pânico, a ansiedade ou a histeria, mas tanto a razão como as emoções são essenciais para formar uma pessoa integra e responsável. O contrário da razão é a irracionalidade, a incoerência acrítica como forma de vida, e existem várias formas de a estimular: por ignorância, pela indiferença, no confiar cego de uma fé qualquer.

maio 02, 2008

Abismo

Quando se mente, isso reflecte o carácter moral. Quando se acredita em algo contra as evidências, isso reflecte a capacidade de julgar. Uma pobre capacidade de julgamento é pior que um mau carácter moral, porque ao segundo, mesmo que subjugado ao interesse próprio, se aplica a razão da auto-preservação. Já a cegueira do primeiro impede-lhe o vislumbre do desastre.

abril 09, 2008

Invariante

Quando afirmamos que tudo depende da perspectiva, há asserções escondidas que nem todos admitem. Todos nós vivemos e reflectimos baseados em convicções. Eis uma: "O Mundo é estável". Há mudança, claro, mas também essa mudança obedece a padrões aos quais adequamos o nosso comportamento. Arriscamos a nossa vida nessa asserção (por exemplo, atravessamos a pé uma estrada após uma rápida consulta à trajectória dos carros, que facilmente nos matariam se as leis físicas flutuassem nesse instante, acelerando esses mesmos carros. Atravessamos a estrada por 'sabemos' que isso não acontece). A estabilidade do Mundo tem implicações sobre a perspectiva que nos restringe. Diferentes olhares, interpretações, são possíveis, até porque o nosso conhecimento do real é limitado (estas perspectivas poderão até ser, no conjunto, inconciliáveis, impedindo-nos, pela natureza do que 'está lá fora', de desenhar modelos gerais, teorias de tudo). Mas é este real que restringe a gama de perspectivas que somos capazes de admitir - bem como as representações que daí somos capazes de construir - como úteis, sensatas ou pertinentes. Existem meios para defender perspectivas com pouca ou nenhuma ligação ao real, mas, a meu ver, são na maioria das vezes o resultado da pressão que resulta quando substituímos a razão crítica do individuo pelas ilusões autoritárias do rebanho.

abril 03, 2008

Balança

Porque achamos que mentir é pior que insistir na crença de algo quando as evidências apontam decisivamente para o contrário?

novembro 26, 2007

Eventuais fronteiras

Entre as disciplinas do saber humano há uma enorme variação temática e metodológica. A minha preferência vai para duas famílias. Uma são as disciplinas que procuram a verdade. Esta palavra tem muitas interpretações, pode-se argumentar que nem sequer existe, que depende do contexto ou da perspectiva. Mais vale usar uma definição: a verdade contém todos os eventos que aconteceram, os que agora acontecem, bem como as leis da Natureza que os guiam ou limitam e que restringem, assim, os eventos que irão acontecer. Nesta família cabem as disciplinas que fundamentam o seu trabalho no método científico da observação, da indução, da elaboração de teses verificáveis. Mas também se incluem as disciplinas da História ou do Jornalismo. A outra família reúne os saberes baseados na razão, na argumentação e na sequência implacável da arte dedutiva. Nestas o objectivo não se centra na verdade mas sim na coerência. Aqui encontra-se a Matemática e a Filosofia (e, por ignorância ou falta de memória, não me lembro de mais nenhuma). O resto, porque há muito que sobra, é uma mistura mais ou menos elaborada de fé, de superstição e de pensamento positivo mágico. Uma rede arcaica de ideias, um ruído branco à possibilidade de melhores pessoas.

outubro 04, 2007

Retirada Estratégica

É inútil argumentar com os que já passaram a fase de ouvir argumentos. O melhor que se pode fazer numa situação dessas é, não podendo evitá-la, manter a calma e limitar-se a não perder a discussão.

julho 19, 2007

Inversos

Mais que a Religião em si, a noção de Fé é a inversa da noção de Ciência. Um cientista não tem, ou não deveria ter, fé numa dada teoria científica. Consoante o conjunto de evidências que existem em favor dessa teoria, um cientista confia na sua validade (por temporária que seja) e, por isso, trabalha com o modelo subjacente. A Fé, pelo contrário, é considerada tanto maior quanto mais ela for contra a evidência dos factos ou da lógica. Em sentido absoluto, toda a Fé é verdadeira, nenhuma Ciência o é.