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março 31, 2006

Origens

Nem os homens são de Marte nem as mulheres são de Vénus. Somos todos de África - Stephen Pinker

maio 16, 2005

Igualdade

"A noção de Igualdade não é o dado empírico que todos os grupos humanos são iguais, é o princípio moral que ninguém deve ser julgado ou limitado pelas características médias dos grupos a que pertence." - Stephen Pinker

março 17, 2005

Botões Políticos (parte I)

(adaptado do capítulo 16 do livro "The Blank Slate" de Steven Pinker)

As ciências que estudam a natureza humana pressionam dois tópicos políticos muito controversos. O primeiro refere-se à nossa ideia de sociedade:
  • Na tradição sociológica, a sociedade é uma entidade orgânica coesiva. As pessoas são vistas como intrinsecamente sociais, partes de um superorganismo. Esta é a tradição de Platão, Hegel, Marx, Durkheim, Weber, Kroeber, Lévi-Strauss, do pós-modernismo e das ciências sociais.
  • Na tradição económica e do contrato social, a sociedade é um arranjo negociado por agentes racionais e com interesses próprios. A sociedade emerge quando um conjunto de indivíduos acorda em sacrificar alguma da sua autonomia em troca de segurança contra terceiros. Esta é a tradição de Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Smith e Bentham. É a base da maioria dos modelos económicos actuais e das análises custo-benefício nas decisões públicas.

A teoria da Evolução moderna balança para o lado da segunda tradição. Defende que as adaptações do organismo e das suas estratégias comportamentais tendem a favorecer o indivíduo e não a comunidade, a espécie ou o ecossistema onde se insere. A organização social surge quando os benefícios de longo prazo do indivíduo compensam os ganhos imediatos. O altruísmo recíproco é apenas o conceito tradicional do contrato social redefinido em termos biológicos. Todas as sociedades - animais ou humanas - estão repletas de conflitos de interesse e são mantidas por uma dinâmica mista de domínio e cooperação.

É claro que os humanos não são solitários e não inauguraram a vivência em grupo após assinar um contrato. A sociedade é central à existência humana desde que esta existe. Mas a lógica do contrato social pode ter catalizado a evolução de capacidades mentais que tendem a manter-nos em grupos porque os benefícios eram maiores que os custos. Com um diferente conjunto de contingências (um outro ecossistema ou outra história evolucionária, por exemplo) e poderíamos agora ser parecidos com os orangotangos (que são animais solitários). [cont.]

janeiro 19, 2005

Violência (parte I)

(adaptado do capítulo 17 do livro de Steven Pinker – The Blank Slate)

Existem muitas razões para acreditar que a violência humana não é uma doença ou um desvio mas sim parte do nosso desenho. Antes de as apresentar, deixem-me dissipar dois medos:

O primeiro medo é que uma análise destas se limite a reduzir a violência a genes “maus” dos indivíduos violentos, com a temida implicação de existir uma correlação com determinadas étnias. Há poucas dúvidas que certas pessoas têm uma maior tendência violenta que outras. Os homens são um bom exemplo. Através das culturas, a taxa de homens a matar homens é de vinte a quarenta vezes superior que a taxa de mulheres a matar mulheres. Os psicólogos encontram padrões de personalidade em muitos indivíduos violentos: tendem a ser impulsivos, possuem baixa inteligência, são hiperactivos e têm problemas de atenção. São descritos como tendo um temperamento oposicional: vingativos, enfurecem-se facilmente, são resistentes ao controlo, deliberadamente incómodos, com tendência para culpar os outros. Mas o que pretendo defender é que este não é o principal factor de violência. Há guerras que começam e terminam, há flutuações das taxas de criminalidade, as sociedades militares passam a pacifistas ou vice-versa, tudo em pouco mais de uma geração, ou seja, sem alterações do património genético dessas sociedades. Apesar de existir variações nas taxas de criminalidade nos diferentes grupos étnicos, isso não significa que haja uma explicação genética, dado que a taxa de um grupo pode ser igual à taxa de outro grupo noutro momento do passado. Os pacíficos escandinavos tiveram como antepassados os Vikings. A violência em Africa pós-colonialista é similar à da Europa após a queda do Império Romano. Qualquer grupo étnico actual, para ainda existir, teve provavelmente alguns antepassados agressivos.

O segundo medo é que pessoas com tendências violentas não são capazes de se controlar, ou que são violentas constantemente. De facto, se o cérebro está preparado para usar estratégias violentas, estas estratégias são contingentes, ligadas a processos complexos que determinam quando devem ser utilizadas. Os animais utilizam a violência de forma altamente selectiva. Os humanos são ainda mais calculistas. A maioria das pessoas passa a sua vida adulta sem premir os seus botões de agressividade. [cont.]

setembro 21, 2004

Cultura e Geografia (parte I)

(baseado no 4º capítulo do livro "The Black Slate" de Steven Pinker)

A cultura é um conjunto de inovações sociais e tecnologias acumuladas no processo histórico que nos ajuda a viver as nossas vidas. A cultura não é uma colecção arbitrária de regras e símbolos com o objectivo de modelar homens e mulheres.

Esta ideia é útil para entender porque diferentes culturas parecem tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais. Quando um grupo se separa da sua comunidade e os laços são cortados (por um acidente geográfico, por hostilidades prolongadas), não existe forma de difundir inovações entre os lados. À medida que cada grupo elabora o seu conjunto de descobertas e convenções, há uma progressiva divergência que produz duas culturas diferentes. Esta ramificação é facilmente visível na evolução das linguagens. Também Darwin tinha utilizado este exemplo como comparação à evolução natural. Normalmente, quanto mais próxima no tempo for a separação, mais próximas são as culturas.

As raízes psicológicas da cultura podem explicar porque alguns hábitos mudam mais facilmente que outros. Algumas práticas colectivas possuem uma inércia enorme porque impõem um custo pessoal muito elevado ao primeiro indivíduo que tentar mudá-las (as religiões estão repletas de exemplos). Outras mudanças só são possíveis por um acordo tácito da própria comunidade (como passar a conduzir à direita em Inglaterra).

Mas as culturas mudam, por vezes, de forma drástica. No Ocidente actual, a preservação da cultura tradicional é considerada uma grande virtude. Porém, muitas culturas não têm a mesma opinião. Quando há uma percepção generalizada que um outro comportamento social é melhor que o tradicional, as culturas absorvem, plagiam, copiam elementos do exterior com uma velocidade surpreendente (a febre dos telemóveis em Portugal...). As culturas não são monólitos parados no tempo, são porosas, possuem uma dinâmica permanente. O mesmo se passa com a linguagem: apesar da eterna lamentação dos puristas e das ameaças das respectivas academias, nenhuma linguagem actual se manteve igual por cem anos. Também as cozinhas tradicionais possuem raízes muito superficiais: as batatas na Europa, os tomates na Itália ou as malaguetas na Índia vêm de plantas do Novo Mundo. [cont.]

setembro 17, 2003

Diversidades

"Speech is a river of breath, bent into hisses and hums by the soft flesh of the mouth and throat" - Stephen Pinker, The Language Instinct

Uma das características que marca a nossa época é a enorme explosão de conceitos e ideias que mudaram o mundo. Por outro lado, esta explosão tem provocado as suas vítimas. No ecossistema global são milhares as espécies extintas ou em vias disso. Acho que, infelizmente, precisamos da extinção de uma espécie mediática, como as baleias azuis ou o elefante africano (o dodo já não convence ninguém). Também na cultura existem vítimas que quase ninguém fala. A parte da globalização movida pelos mass media ameaça uma enorme quantidade de línguas e dialectos. Há quem estime que, neste século XXI, desapareçam metade das milhares de línguas humanas. Nem tudo o que se extingue é físico, e este tipo de perdas pode não ser menor para o Homem. Com uma língua vai uma forma de ver e pensar o Mundo, uma forma de encontrar respostas. Para se ter uma ideia desta imensidão e riqueza que a Humanidade produziu nestes milénios, passem por este site que mostra como se conta de 1 a 10 em cinco mil línguas diferentes. Cerca de 2500 destes conjuntos de sons deixarão de ser ouvidos em 2100.