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abril 15, 2009

Via Robotica

Não há nada de mais relevante a uma sociedade que dar condições às suas crianças para crescerem com espírito crítico e suficiente cultura e aproveitar, aqui e agora, o igual dos seus direitos e o único das suas capacidades. Como defendido por von Humbolt e Stuart Mill, são necessárias duas coisas: liberdade (de acção, de expressão) e variedade de oportunidades. Só assim se sustém o vigor intelectual e a originalidade da respectiva sociedade. Se não motivarmos o espírito crítico fabricaremos ovelhas mesmo que as haja de diversas cores e tamanhos. Se, ainda por cima, não estimularmos a variedade obtemos um rebanho padronizado em brancos e pretos.

dezembro 17, 2007

Travessia

Terá havido maior invenção que a escrita? Que tentação, a de atravessar o mundo, e tentar deixar nele a marca de uma frase.

maio 17, 2007

Nada

Como é possível não querer ler? Passar pela vida e, podendo, escrever nada?

novembro 30, 2004

Pontos na paisagem virtual (parte IV)

A comunicação nos MUDs é síncrona e hipertextual. A sincronicidade permite a conversação em tempo real, ao contrário dos grupos de discussão ou dos emails onde uma mensagem tem um carácter mais permanente. A componente do hipertexto consiste na descrição imaginária do ambiente, dos objectos e das entidades intervenientes. Cada participante pode seleccionar os objectos que quer ver, tal como um browser pode navegar por vários links. Enquanto a página de um livro é algo fixo, o monitor transforma-se num mosaico. Troca-se a linearidade da literatura pela hipertextualidade. A experiência textual torna-se dinâmica, imprevisível, possibilita ao leitor conformar-se menos com as normas. Existe o sentimento que, na internet, as ideias falam por si. Isso, e o facto de poder construir personalidades anónimas com relativa facilidade, torna-nos mais seguros nos comentários (e na maior violência das palavras que certas pessoas tendem a usar).

A tendência moderna nas linguagens de programação (C++, Java) é a aplicação da metodologia dos objectos: tudo é um objecto! Avatares, bots, ferramentas, mobília, o tempo atmosférico e a paisagem, mesmo as instruções que manipulam o universo virtual são vistos como objectos, instâncias de conceitos abstractos designados por classes (curiosamente, parte da discussão das modernas linguagens centradas em objectos faz lembrar as 'velhas' discussões metafísicas da filosofia). Existe uma conexão forte entre o objecto a manipular e a palavra escrita para invocar essa alteração (como se tratasse de uma lingua Adâmica).

A hipertextualidade permite a construção por camadas de complexidade. A descrição e funcionalidade de cada objecto pode ser aprofundada em descrições progressivamente mais concretas. Isso ressalva o eventual excesso de abstração e simplificação que possa ocorrer inicialmente. Os arquitectos deste novo mundo devem decidir pela sua transparência ou opacidade. Qual o espaço dado à interpretação? Numa retórica digital, a transparência não é uma virtude. A transparência faz-nos olhar para o mundo para lá do texto. Porém, o texto pode ser usado como um objecto interessante de estudo e contemplação. A total transparência só poderá ser obtida com tecnologia muito evoluída, dado existirem questões (quebra do serviço, tempos de espera nas redes informáticas, falta de luz) que não permitem a imersão completa no mundo virtual (apesar de existir sentimentos que encobrem os problemas tecnológicos, como o utilizador que considerava o save uma experiência quase religiosa).

Até agora, a escrita tem sido vista como a mais pura forma de expressão. Como ferramenta de organizar pensamentos, de preservar memória. A escrita revolucionou a capacidade da Humanidade resolver e perceber problemas. Tão poderosa é a escrita que tendemos a pensar que a mente opera em si de forma linguistica ao codificar ideias. Mas escrever não é tão natural como falar, é uma conquista cultural não um facto universal. Nestes pontos de paragem virtual é testada a fusão entre escrita e oralidade. A comunicação é mais cerebral que a fala mas existe em tempo real, sendo mais dinâmica que a escrita. Torna-se difícil saber onde o pensamento termina e a escrita começa.

outubro 11, 2004

Paragem

Tanto a escrita como a fotografia preservam porque descrevem um processo. Uma refere-se ao possível da linguagem, outra ao cristalizar de um momento.

setembro 28, 2004

Conflito

A escrita é uma arma de dois gumes: inclui a nossa visão na herança do futuro mas, pelo erodir dos momentos passados, permite confundir visão por verdade.

fevereiro 09, 2004

Transições

Ontem passou. É hoje o verniz do passado. O caminho que repito será o mesmo? As pessoas que falo? As palavras que escrevo?

janeiro 29, 2004

Seis meses de ruminações

Fora aqueles que o fazem por motivos premeditados, manter um blog é uma actividade que oscila entre o prazer de um passatempo e a paciência de um cultivo. Torna-se comum encontrarmo-nos a pensar num tema, a ler uma ideia ou a trabalhar uma frase para estas notas acumuladas semanalmente. Pára-se o resto para escrever as fugidias palavras que receamos perder, finge-se atenção enquanto se lapida mentalmente o post de amanhã. Outras vezes, simplesmente, falta o motivo para continuar. Porque terminam metade dos blogs ao fim de um semestre? Não sei, mas talvez seja consequência da tensão entre o acto narcísico de expor aquilo que achamos interessante, estético (e que nos espelha para os outros) e a autocrítica sobre essa exposição. Uma prolonga (por vezes penosamente) o esforço enquanto outra questiona a validade do mesmo. Quando não há tensão ou o blog termina ou prossegue soterrando aquilo que merece a pena ser visto, lido, relembrado. Neste aspecto suponho ser semelhante ao ser-se escritor, que como alguém disse não é por aprender palavras novas que estes se fazem, é por haver coisas a dizer.

janeiro 26, 2004

Traços

E nós? O tempo é infinito, o espaço quase. O real é uma linha no vasto plano de possibilidades. Onde está o segmento desenhado pelo Homem? Não sei mas não pares. Escreve. A caneta acabará um dia. Enquanto isso enchemo-la de nós próprios.