Quando o tirano me ameaça e convoca, eu respondo, ‘quem é esse que intimas?‘. Se ele diz, ‘colocar-te-ei em grilhetas’, eu respondo, ‘é a minha mão e os meus pés que ameaças’. Se ele diz, ‘decapito-te’, eu digo, ‘é o meu pescoço que ameaças’… Então ele não te ameaça de forma alguma? Não, desde que eu considere que nada disso sou eu. Mas se eu me deixar levar por estas intimidações então sim, ele ameaça-me. O que sobra para eu ter medo? Um homem que domine as coisas em meu poder? Não existe tal homem. Um homem que domine o que não está em meu poder? Porque me preocuparia eu com ele? [Discursos, Epictetus]
Morrerás em breve. É incontestável. E quanta verdade morrerá contigo sem saberes que a sabias. Só por não teres tido a sorte de num simples encontro ou encontrão ta fazerem vir ao de cima - Vergílio Ferreira
julho 21, 2005
Exteriorização
julho 20, 2005
julho 18, 2005
Livre Arbítrio (2/2)
É comum pensar que o ambiente é mais ‘amigável’ por ser mais facilmente manipulado. Depende. Em termos profiláticos, adaptar o ambiente para melhorar certas condições pode ser mais fácil que a terapia génica (i.e., corrigir deficiências no ADN) mas as próximas décadas de avanço tecnológico terão a palavra. Porém não se pode modificar o ambiente do que se passou (não podemos ter pais novos ou mudar o país onde nascemos) da mesma forma que não se pode, hoje, alterar a nossa herança genética.
As influências do ambiente e da herança genética têm a sua quota de influência (que varia ao sabor dos avanços e recuos civilizacionais). Mas não há mais nada? Mesmo num contexto onde o ambiente é controlado e a componente cultural não existe (e.g., experiências com bactérias ou insectos), a genética não determina totalmente as características dos indivíduos. Dois clones do mesmo organismo têm corpos distintos. Uma razão (haverá outras) é a componente não-linear do processo embrionário, ou seja, a existência de fenómenos caóticos que, para todos os efeitos, têm carácter aleatório (mesmo sendo o sistema totalmente determinista). Há sempre espaço para a “sorte” na discussão entre o ambiente e a genética. Esta facto tem uma implicação importante: determinismo não implica inevitabilidade. Mas nesta luta de decidir o futuro entre ambiente, genética e acaso, haverá espaço para mais alguma coisa? Qual a margem de manobra reservada a nós próprios? Refs [Gould 78, Dennet 04]
julho 15, 2005
Livre Arbítrio (1/2)
julho 13, 2005
Singularidades
julho 11, 2005
Auto-retrato
julho 08, 2005
não saibam nada
julho 06, 2005
julho 04, 2005
Nós
"Nós seguimos em frente, como um só corpo com milhões de cabeças, e dentro de cada um de nós reinava a suave alegria que constitui, provavelmente, a vida das moléculas, dos átomos, dos fagócitos. No mundo antigo, os cristãos compreendiam bem o que isso era: a modéstia é uma virtude, o orgulho é um vício; compreendiam também que Nós vem de Deus, ao passo que Eu vem do Diabo.
Lá ia eu, caminhando ao passo como todos, mas, apesar de tudo, isolado deles. Tremia ainda no seguimento das perturbações recentes, tal como treme a ponte sobre a qual passou um comboio daqueles de antigamente. Tinha consciência de mim mesmo. Ora o conhecimento de si, o reconhecimento da própria individualidade só o têm o olho onde acaba de cair um cisco, o dedo esfolado, o dente dorido. Quando sãos, o olho, o dedo, o dedo não têm existência alguma. Não prova isto claramente que a consciência de si é de facto uma doença?"