- 1984 de George Orwell. A vida de Winston Smith num regime ditatorial que absorveu todos os aspectos públicos e privados dos seus habitantes."It was terribly dangerous to let your thoughts wander when you were in any public place or within range of a telescreen. The smallest thing could give you away. A nervous tic, an unconscious look of anxiety, a habit of muttering to yourself—anything that carried with it the suggestion of abnormality, of having something to hide."
- Fahrenheit 451 de Ray Bradbury. O despertar de Guy Montag de um mundo de conteúdo simplificado onde livros são objectos para queimar. "Give the people contests they win by remembering the words to more popular songs.... Don't give them slippery stuff like philosophy or sociology to tie things up with. That way lies melancholy."
- O Processo de Franz Kafka. Joseph K. vê-se como réu de um processo judicial que não entende. "Não é necessário aceitar tudo como verdadeiro mas apenas aceitar aquilo que é necessário."
- Darkess at Noon ("O Zero e o Infinito" nas Ed. Europa-América) de Arthur Koestler. Nicholas Rubashov é um membro da velha guarda revolucionária da União Soviética (este livro é o único dos quatro que ocorre num país concreto e trata de acontecimentos verídicos mesmo que ficcionados) que se vê enredado nas purgas estalinistas dos anos 30. "A sua tarefa é simples: dourar o que é certo, enegrecer o que está errado. A política da oposição está errada. A sua tarefa é, pois, fazer com que a oposição se torne desprezível; fazer com que as massas compreendam que a oposição é um crime e que os dirigentes da oposição são criminosos. É esta a linguagem simples que as nossas massas compreendem. Se começar a falar das suas complicadas motivações, só conseguirá criar confusão nos espíritos."
Morrerás em breve. É incontestável. E quanta verdade morrerá contigo sem saberes que a sabias. Só por não teres tido a sorte de num simples encontro ou encontrão ta fazerem vir ao de cima - Vergílio Ferreira
julho 28, 2004
Um ano de Ruminações
julho 26, 2004
Não se pode provar uma negativa universal? (parte II)
Explicações sobrenaturais são inerentemente inferiores às naturais. Por exemplo, são menos simples porque assumem a existência de entidades sobrenaturais (fantasmas, poltergeist, anjos, deuses, relações não triviais como na astrologia); não explicam os fenómenos de forma conveniente, produzindo mais perguntas que respostas; são menos conservativas porque é normal violarem leis naturais; não são úteis porque não são aptas para preverem acontecimentos novos. Por isso os cientistas as evitam.
[...] E se não existir uma razão natural plausível para algum fenómeno? Poderá isso justificar a existência de Deus? A nossa incapacidade para encontrar uma explicação conveniente pode simplesmente ser devido à nossa ignorância sobre o funcionamento das leis naturais. Muitos fenómenos que já tiveram explicações sobrenaturais como vulcões, terramotos e doenças são agora entendidos como fenómenos naturais. Como Santo Agostinho entendeu, os milagres não são contrários à Natureza, são contrários ao nosso conhecimento da Natureza.
Dada a inferioridade das explicações sobrenaturais e a incompletude do nosso conhecimento, os teístas apenas deveriam oferecer uma explicação sobrenatural de um fenómeno se conseguissem provar ser impossível encontrar uma explicação natural para o mesmo. Ou seja, para invalidar a prova científica da não-existência de Deus, os teístas têm de provar uma negativa universal: que nenhuma explicação natural para o fenómeno pode ser encontrada. E isso, acredito, é uma negativa universal que nenhum teísta será capaz de encontrar.
julho 23, 2004
julho 21, 2004
Fronteiras IV
julho 20, 2004
Não se pode provar uma negativa universal? (parte I)
De facto existem muitas negativas universais que foram provadas. Parmenides (há 2500 anos) afirmou que não podem existir contradições lógicas: não há solteiros casados, nenhum circulo é quadrado, e não existe o maior número porque estas noções são contraditórias. Elas violam a mais fundamental lei lógica: a lei da não-contradição (nada pode ter e não ter uma dada propriedade). Uma forma de provar uma negativa universal é provar que uma dada noção é contraditória (também se designa inconsistente). Para provar que Deus não existe, basta demonstrar que a concepção de Deus é inconsistente:
- O teísmo tradicional define Deus como o ser supremo, do qual não se pode conceber maior, como Santo Agostinho disse. Sabemos que não existe um número supremo X - se existisse, o número 2^X era um número maior (contradição). Muitos acreditam que a noção de um ser supremo é análoga ao de um número supremo.
- Outros (o cristianismo, por exemplo) afirmam que Deus é perfeitamente justo e misericordioso. Se é perfeitamente justo, todos terão o que merecem. Se é perfeitamente misericordioso, perdoará a todos. Mas não parece ser possível ser as duas coisas. Assim, esta noção pode ser inconsistente.
Estão são apenas algumas inconsistências encontradas nas definições tradicionais de Deus. [...] Os teístas afirmarão que se estas noções forem bem entendidas não existe contradição lógica. E se tiverem razão? Se for logicamente possível existir Deus? Será que isso implica que não se pode provar a inexistência de Deus? Não, para provar que algo não existe basta provar que é epistimologicamente desnecessário, ou seja, que esse algo não é necessário para provar nada. A Ciência tem provado a não-existência de vários conceitos desta forma, como o flogisto, o éter e o planeta Vulcão. As provas cientificas não são como as provas lógicas, não precisam estabelecer as suas conclusões para lá de qualquer dúvida. Basta que as suas conclusões estejam para lá de qualquer dúvida razoável, sendo justificação suficiente para lhes dar valor.
O flogisto, o éter e o planeta Vulcão são entidades teóricas postuladas para explicar certos fenómenos. O flogisto foi usado para explicar o calor, o éter para justificar a propagação da luz através do espaço, e Vulcão para acertar as perturbações da órbita de Mercúrio. A Ciência, desde então, mostrou que os respectivos fenómenos podem ser explicados sem invocar estes conceitos. Ao demonstrar a sua inutilidade, ficou provada a sua inexistência.
julho 16, 2004
Ecos
julho 15, 2004
Pontos de vista
julho 13, 2004
Geração
Bolívia 1955-67 Conflito com a Guerrilha 200,000 mortos civis
Chile 1974 Execuções da Junta Militar 20,000 mortos civis
Colômbia 1949-62 Liberais vs. Conservadores 200,000 mortos civis
Colômbia 1970s-90s Governo vs. Guerrilha Comunista 120,000 mortos civis
Guatemala 1966-89 Governo vs. URNG 100,000 mortos civis
Nicarágua 1978-79 Guerra Civil 40,000 mortos civis
Peru 1981-89 Sendero Luminoso 20,000 mortos civis
Peru 19?? Comissão da Paz e Reconciliação 60,000 mortos civis
Egipto/Israel 1967-70 Guerra dos Seis Dias e pós-guerra 50,000 mortos civis
Síria 1981 Massacre pelo Governo da Irmandade islâmica de Hamah 10,000 mortos civis
Turquia 1984-89 Governo vs. Partido Trabalhista Curdo 10,000 mortos civis
Bangladesh 1971 Guerra civil, intervenção Indiana 1,000,000 mortos civis
Iraque 1960s-1980s Massacre dos Curdos 100,000 mortos civis
Iraque 1991 Guerra com EUA 100,000 mortos civis(?)
Iraque 2003/4 Guerra com EUA 10,000 mortos civis
Guerra Irão/Iraque 1980s 1,000,000 mortos civis
Índia 1946-48 Processo de Partição 800,000 mortos civis
Índia 1965 Índia vs. Paquistão 13,000 mortos civis
Afeganistão 1980s,90s Guerras continuas 1,000,000 mortos civis
Tadjiquistão 1992 Guerra Civil 60,000 mortos civis
Tchechénia 1990s Conflito com Rússia 30,000 mortos civis
Camboja 1975-78 Governo de Pol Pot 2,000,000 mortos civis
Camboja 1978-90 Invasão Vietname e guerra civil 20,000 mortos civis
China 1946-50 Guerra civil 5,000,000 mortos civis
China 1949-54 Reforma Agrária 4,500,000 mortos civis
China 1949-54 Supressão da contra-revolução 3,000,000 mortos civis
China 1965-75 Revolução Cultural 1,613,000 mortos civis
Indonésia 1965-66 Massacres relacionados com golpe de estado 500,000 mortos civis
Indonésia 1975-89 Anexação de Timor Leste 90,000 mortos civis
Sri Lanka 19??-hoje Conflito governo - Tigres Tamil 50,000 mortos civis
Coreias 1950-53 Guerra da Coreia 3,000,000 mortos civis
Laos 1960-73 Guerra Civil, conflito com Indónesia 12,000 mortos civis
Laos 1975-87 Governo vs Frente Libertação Nacional 30,000 mortos civis
Filipinas 1972-87 Governo vs. Movimento Muçulmano (MNLF, MILF) 20,000 mortos civis
Vietname 1945-54 Guerra da Independência com França 300,000 mortos civis
Vietname 1960-75 Guerra com EUA 1,200,000 mortos civis
Angola 1961-75 Guerra da Independência com Portugal 300,000 mortos civis
Angola 1980-88 Guerra civil 500,000 mortos civis
Algéria 1992-2002 Governo vs. FIS e GIA 100,000 mortos civis
Burundi 1972 Hutus vs. Governo 80,000 mortos civis
Burundi 1988 Hutus vs. Governo 200,000 mortos civis
Nigéria 1967-70 Guerra Civil 1,000,000 mortos civis
Ruanda 1956-65 Tutsis vs. Governo 102,000 mortos civis
Ruanda 1995 Hutu vs Tutsi 1,050,000 mortos civis
Somália 1990-93 Guerra civil 250,000 mortos civis
Sudão 1955-hoje Guerra Civil 1,900,000 mortos civis
Uganda 1971-78 Massacres Idi Amin 300,000 mortos civis
Uganda 1981-85 Massacres Governo Obote 300,000 mortos civis
Uganda 1981-89 Resistência Nacional vs. Governo 100,000 mortos civis
Congo 1960-64 Conflito de Independência(?) 100,000 mortos civis
Congo 1998-hoje Guerra civil 3,000,000 mortos civis
Jugoslávia 1990s Guerra civil 300,000 mortos civis
Principais fontes: [1,2]


