A nossa TV não me deixa de surpreender. Normalmente, eu diria que é uma boa coisa surpreender-me, mas neste caso... O fosso do mau gosto continua a escavar-se sem nenhum respeito pelos recordes anteriores. A TVI esmaga-nos com o seu poder criativo de produzir telenovelas atrás de telenovelas e de misturar anúncios com notícias e ficções. A SIC arrasta um conjunto de programas de mau gosto (onde se inclui o Herman) que servem de viveiro para a criação de personagens inarráveis misturas de misticismo e de "espectáculo". A RTP1, mesmo assim, tem-se aguentado numa profundidade aceitável desse mau gosto. Esta TV que nos dão (será que a merecemos?) numa mistura subtil de estupidez e de seriedade, onde nos levará? Ou melhor, onde queremos nós ir com ela? Com a capacidade formativa sem igual aliada à gestão progressivamente uniformizadora dos conteúdos televisivos, faz com que a sua importância como "fábrica" de cultura das massas seja imensa! ("Marx ainda não tinha visto nada" - diz-se num cartoon do Calvin&Hobbes). Ela deixa na mente colectiva de um povo (ou povos, se pensarmos que no resto do Ocidente a coisa está na mesma) potenciais sementes nada agradáveis. Quem referiu que quanto maior a simplificação do discurso, mais amplo é o público que o assimila e que nele se revê?
Morrerás em breve. É incontestável. E quanta verdade morrerá contigo sem saberes que a sabias. Só por não teres tido a sorte de num simples encontro ou encontrão ta fazerem vir ao de cima - Vergílio Ferreira
agosto 22, 2003
As melhores palavras
Não são poucas a vezes que acho que deviamos ter tido na escola secundária uma disciplina que focasse a "Arte da Palavra Adequada", i.e., num dado contexto, num dado momento, ter a capacidade de escolher a palavra certa. Dar-nos-ia mais golpe de asa (será esta a melhor expressão?) e talvez melhorasse o sentido de humor nacional. Evitaria a maioria dos supers, ultras, fabulosos, extraordinários, "melhores do mundo", nuncas e "de sempre" que populam as TVs, os jornais e os anúncios... Talvez também prevenisse alguns termos infelizes em tempo real ditos por políticos e mesmo por futebolistas (lá vai o meu optimismo). Um primeiro exercício nesta disciplina seria encontrar um termo que a identificasse: Parabologia?
agosto 19, 2003
Ambiente
Os fogos tiram-nos o país das mãos... São um instrumento na luta que fazemos contra nós próprios enquanto espécie. Por cada hectare destruído, por cada espécie de vegetal ou animal que se fragiliza, somos nós que nos fragilizamos. Cada espécie só existe num determinado ambiente. Quando esse ambiente desaparece, as probabilidades são que essa espécie desapareça também (principalmente a esta velocidade). Quando os "fanáticos" ecologistas salvam uma árvore, um panda ou uma baleia, ajudam a salvar o Homem.
