novembro 04, 2008

v.2.0

Um televisor possui milhares de milhões de cores. Um microfone capta milhões de tons, de frequências. É possível imaginar um faro electrónico, como um de um cão, onde tudo seria uma sinfonia de cheiros. E para lá dos nossos sentidos muitos outros existem na Natureza (sonares e radares, feromonas...). Imaginemos tudo isto junto num ente artificial. Que monumento de novas sensações um mundo assim sentido proporcionaria? E que cegueira a do seu criador, o Homem.

outubro 21, 2008

Quando?

"Se eu não sou por mim, quem será? Se eu sou por mim, quem sou? E se não agora, quando?" Rabbi Hillel

outubro 13, 2008

Tudo ou Nada

O analógico é vulnerável como o corpo: o tempo decompõe-no, desfigura-o num processo de erosão e envelhecimento. Essa transfiguração, porém, é contínua, suave, uma sequência de pequenas diferenças que perdem, pouco a pouco, a mensagem inicial, mas que no nevoeiro do ruído que o substitui sobra algo mais que sombra e ecos. No digital tudo se mantém estável, intocável, perene. Só que a dependência do contexto, dos formatos, de leitores específicos de uma complexidade crescente, criou um caminho sem saída. E tornar-se-á inimitável se, ou quando, um dia perdermos os algoritmos e essas máquinas que os evocam.

outubro 06, 2008

Foco

A distância entre nós próprios e os outros é maior do que se imagina. Como construir uma ponte entre duas trajectórias? Como edificar um só momento de integral compreensão quando o que nos define é, em si, um fantasma, um conceito que se estilhaça quando o observamos de perto? Na contabilidade de se julgar a si e aos outros, quantas oportunidades para falhar, quantos erros a fazer, quão grandes esses erros? Mesmo assim, apesar do nevoeiro e desse vento que nos rodeia, segura-mo-nos em princípios e preconceitos que dão sentido e decisão aos caminhos que nos deparam. Uns aprendem-se outros decoram-se, uns resultado de raciocínio, experiência e argumento outros pouco mais que frases antigas há muito iteradas. O Dr. Spleen reconhece que entre respeitar uma opinião e a pessoa que a profere mete-se, mesmo que à justa, um mundo. Mas onde termina a Palavra e começa a Pessoa? Sacralizar - palavras, pessoas - é a acção que leva à asfixia estéril da imobilidade. Assim, para evitar um qualquer equívoco, Spleen não admite mais que o corpo à vitima que dá voz a esses princípios ou preconceitos Nesse preciso momento em que tudo se reduz ao ponto focal da sobrevivência.

setembro 30, 2008

Dura Lex

Há um conflito entre a deontologia, que julga as acções pelas leis que a restrigem, e o utilitarismo, que justifica as mesmas acções pelas consequências que provocam. Na primeira, as boas acções podem ser castigadas se violarem a lei, enquanto no segundo podem ser até premiadas. David Hume propôs uma união destas duas perspectivas, que parece-me usarmos hoje em dia, o utilitarismo indirecto, onde defende que se deve ter um pensamento utilitarista (maximizar a felicidade da sociedade) para formular uma deontologia (um corpo de leis). Desta forma, há duas vantagens: a aplicação intransigente das leis tende a melhorar o bem-estar da sociedade e torna-se mais natural a escolha entre opções para leis (preferir aquelas normas que, quando aplicadas, melhoram esse bem-estar).

setembro 26, 2008

Bifurcação

A educação, por natureza, é conservadora nos conteúdos que ensina. Ela pretende preservar um corpo de conhecimentos considerados úteis a quem aprende bem como necessários à permanência da sociedade em questão. Tendo em conta a relação que se pretende que o futuro adulto tenha em relação ao Outro diferente, estes conhecimentos podem ser negativos (no alimentar de nacionalismos extremados, fanatismos, xenofobias, dogmas) ou positivos (no primado da razão e da ética, aos princípios e à tolerância, ao argumento crítico, à coragem e à prudência). Para os responsáveis, uma escolha tão clara como terrível.

setembro 15, 2008

Diferença

Olhar para a totalidade do sistema solar por séculos sem fazer o esforço de entender como o mundo funciona. Diríamos que ali estava tudo exposto, todos os factos, todas as relações entre a miríades de corpos celestes. Mas, mesmo após esse tempo todo, não teríamos obtido nada. É no esforço honesto e imparcial de entender que recolhemos conhecimento útil. Apenas coleccionar factos é mostrar tudo e dizer nada.

setembro 10, 2008

Piloto Automático vs.'Eu'

"Cognitive control is necessary when we block a habitual behavior and instead execute a less-familiar behavior. Because cognitive control requires an effort, it is not efficient to maintain a high level of control all the time — the nervous system needs to know when cognitive control is necessary." Matsumoto - Conflict & Cognitive Control, Science 303, pp.969-70

setembro 05, 2008

Cebolada

Querer perder os preconceitos culturais que nos restringem é uma tarefa para décadas. Se a constatação que deus não existe pode surgir rapidamente, demora uma vida perceber como a instituição secular dos seus funcionários controlou a sociedade e - preza-se a honestidade do termo - o seu rebanho. Como destruiu sistematicamente o desenvolver do pensar crítico, substituindo-o por uma subtil rede de complexos de culpa, medos e vigilância que formam o regulamento moral que nos prende. Como recusou - excepto pela intensidade das forças externas - as liberdades e as diferenças incómodas dos indivíduos que assumiu o dever de proteger. Como isso, cá por dentro, cresce connosco. Como extirpar camada a camada, a peçonha que também responde pelo nosso nome.

agosto 02, 2008

Aproximações

Os sistemas dinâmicos suficientemente complexos partilham uma característica: o caos. O caos é uma etiqueta para um conjunto de comportamentos definidos matematicamente, um dos quais é a sensibilidade aos parâmetros iniciais, vulgo, o efeito borboleta. Esta sensibilidade indica que mínimas discrepâncias nos valores dos parâmetros implicam, ao fim de um espaço limitado de tempo, uma divergência muito maior de comportamento. Isto significa que estes sistemas são, de certa forma, irredutíveis: a única forma de saber como se desenrolam é esperar que ocorram, que se desenvolvam. A meteorologia tem como estudo um sistema destes: o tempo atmosférico. Mesmo conhecendo todos os factores relevantes, todas as equações que determinam a dinâmica - reparar que irredutível não é o mesmo que não modelável-, é materialmente impossível saber como o tempo se comporta exactamente ao fim de um mês. Claro que existem limites, sabemos que daqui a um mês não estaremos numa época glacial, mas dentro de um intervalo de variação, como saber se vai chover ou não num determinado local, é melhor olhar para as medições do passado recente e escolher o valor mais comum. Outro sistema dinâmico de enorme complexidade é o cérebro. O cérebro é constituído por uma rede de impulsos bio-eléctricos suportada por biliões de neurónios e árvores dendríticas a funcionar em paralelo. Mesmo que a neurofisiologia do futuro seja capaz de dissecar todos os detalhes do cérebro, estabelecer como se conjugam estes detalhes e entender o relevante do seu funcionamento, teremos o mesmo problema que na meteorologia: o funcionamento do cérebro, isto é, a mente, será irredutível. Ou seja, mesmo conhecendo o meu estado mental no presente com toda a precisão possível, a capacidade tecnológica para prever o que farei, o que escolherei no futuro será limitada pelo mesmo limite que subjuga a previsão do tempo. Talvez se deduza que posso fazer X ou Y em condições sensoriais controladas, na próxima hora, digamos, mas após isso, o meu historial será mais fidedigno a prever o meu comportamento futuro.

Alguns pontos:

1) O livre-arbítrio estará para sempre protegido pela irredutibilidade do processo cognitivo. Não sendo analisável, será esta uma demonstração do seu carácter subjectivo?
2) O facto que ser irredutível faz com que seja impossível testar se a mente é ou não clonável (como saber se as duas mentes fariam o mesmo num futuro suficientemente distante?). Não parece tecnicamente possível copiar exactamente todo um cérebro, mas mesmo que fosse exequível, as duas mentes começariam desde logo a divergir devido à sensibilidade aos parâmetros inerente à cognição.
3) Copiar uma mente é diferente que criar uma boa aproximação. Uma aproximação permite relaxar certos pontos. Por exemplo, se tivermos uma teoria suficientemente precisa do tempo atmosférico, apesar de ser impossível recriar o tempo real, é possível alimentar um modelo com valores aceitáveis e executar um tempo virtual. Este tempo virtual não permite prever o tempo real, mas matematicamente, dentro da estrutura abstracta dessa teoria, não existem diferenças qualitativas entre os dois. Por analogia, tendo nós uma teoria da cognição, poderíamos criar uma simulação (o necessário poder computacional será uma inevitabilidade ainda neste século) e executar 'uma pessoa'. Não uma pessoa que exista ou existiu, mas uma pessoa possível, talvez mesmo uma aproximação minha, vossa. Será algo, alguém, que nos dirá que sente, que pensa, e que argumentará connosco em sua própria defesa, como o faria qualquer um de nós.

julho 31, 2008

Imagens

À medida que a Ciência se desenvolveu no século XX tornou-se cada vez mais claro que as imagens e os modelos físicos que usamos para tentar compreender fenómenos em escalas para lá dos nossos sentidos, não são mais que muletas para a nossa imaginação e só podemos dizer que um fenómeno se comporta, por exemplo, como uma corda vibrante e não que é uma corda vibrante. Dependendo das circunstâncias, é possível que várias pessoas usem diferentes modelos para representar um mesmo fenómeno, mas que cheguem às mesmas predições e resultados baseados na matemática de como o fenómeno responde a determinados estímulos. Não podemos dizer que a luz é uma onda ou uma partícula mas sim que, dependendo da situação, a luz comporta-se como uma onda ou como uma partícula. John Gribbin - Science, A History

julho 30, 2008

O Fim do Destino

Quatrocentos anos de avanços científicos e filosóficos, desde o Renascimento, passando pelo Iluminismo até aos dias de hoje, destruíram a solidez de muitos dogmas e das instituições que deles se alimentavam. As pessoas que eram tratadas como eternas crianças, como robots no trabalho e prenhos de muitos filhos, viram-se, lentamente, livres dos destinos que outros lhes achavam apropriados. O preço a pagar foram as opções por tomar, o fim dessa vida pré-fabricada, o repensar de muitos preconceitos. Quando se abre uma comporta, tanto entra água límpida como muitos tipos de água suja.

julho 21, 2008

Passagem

A vida é uma janela a separar dois imensos nadas. A falta do mundo antes de nascer é a mesma depois da morte. No meio faz-se cor e som e luz. Faz-se dor e prazer, pensamentos e medos, um embrulho de gente, nomes e memórias, razões e impulsos, o belo e o terrível, o deslumbrar e o tédio das coisas. Uma lenta explosão até voltarmos ao seio do abismo que como que nos embala.

julho 15, 2008

Separação

Usar as características - reais ou imaginadas - de um grupo para julgar e agir sobre um seu individuo é moralmente errado. Este corolário da regra de ouro, infelizmente não reconhecido por muitos, é díficil de perceber até onde deve ser levado. Para uma pessoa, alguém racista, xenófobo ou sexista é um insulto continuado contra o Outro que somos todos. Mas e ser-se especista? Ou favorecer este em desfavor de outro por motivos de amizade, família ou grupo profissional? Quão desligados devemos ser dessa rede social que nos faz para que sejamos justos?

junho 28, 2008

Fim

O tempo necessário para garantir uma sociedade estável (o trabalho, a burocracia, a casa, o crescer dos filhos) torna-nos máquinas. O nosso corpo e mente não se adequam nessa mecânica imposta, nessa igualdade que nos força a ser eco de carimbo, uma emanação bem formatada do Normal. E nesse passar de anos, tijolo a tijolo, de compromisso em compromisso, numa arquitectura cada vez mais elaborada e sólida de responsabilidades, construímos as nossas confortáveis prisões. Por vezes esse tempo é tão vasto, essa prisão tão barroca, que nos esvaziam totalmente. Fica apenas a aparência de alguém diferente, o fantasma seco de uma possibilidade passada.

junho 26, 2008

junho 17, 2008

junho 16, 2008

Fendas

Poderão ser os fanatismos e superstições consequências mentais de certos contextos sociais (de pobreza, de medo, de falta de opções) da mesma forma que as doenças, como a tuberculose ou a sida, o são para o corpo? Se cada contexto social (um ecossistema mental usando uma metáfora biológica) propícia um pano de fundo, um espaço de possibilidades para o desenvolvimento de patologias (como a gripe se multiplica no frio e a malária no calor), que tipo de patologias origina um ambiente de liberdade, de excesso de opções? Irresponsabilidade? Indiferença e indecisão? O tédio?

junho 02, 2008

Criticalidade

Uma gota de água num Oceano não é nada, é algo. É, para ser preciso, uma gota. Um gesto ínfimo é um gesto. Até um gesto gasto na repetição de uma rotina obrigatória, mesmo que a complexa mecânica muscular que o origina venha do subconsciente e não tenha já qualquer impacto da memória de quem o causou, não deixa de ser um gesto. É que para a realidade não há burocracias, hierarquias de importância ou momentos chave que filtram o que permanece. A realidade tudo contabiliza num acumular subtil que não entendemos. O Dr. Spleen finalmente encontrou a psicose que há anos o seu deambular de rua procurava. Este homem, um silêncio encarnado (nenhum som daquela boca mesmo após a paciência fiscal dos punhos de Kong Sénior ou o furor profissional de Dabila). Eis alguém que acumulava olhares de pessoas por quem passava, medindo, atribuindo-lhes créditos. Spleen apenas vislumbra uma tosca projecção desse classificar. Suspeita que certos números mapeavam um sorriso, um observar curioso, um ver de soslaio, a indiferença dos rostos. E nesse cálculo o espelho da sua curiosidade. Pois atrás dele o desvendar de uma aritmética da acção, o acumular de médias ponderadas até atingir um limite, talvez arbitrário, essa gota de água, esse transbordar que o levava, por fim, a terminar Outros.

maio 29, 2008

Extremos

O relativismo não é uma atitude inofensiva. Argumentar que as crenças, as verdades individuais, são sempre igualmente válidas, não é defensável. Uma crença pode alterar o comportamento do crente em contextos relevantes. E essas novas acções tomadas podem, assim, prejudicar o «outro» (onde o futuro «eu» muitas vezes se inclui).

maio 26, 2008

Possibilidade

Um pensamento pode originar uma emoção. Nesse sentido, o meu medo, atracção, raiva , amor, inveja ou simpatia podem ser sobre um alvo imaginado - até mesmo projectado - mas que não existe. Desta possibilidade, talvez, o espaço para a literatura, o teatro, o cinema. A arte.

maio 23, 2008

Dupla Via

O passado e o futuro são os dois sentidos dessa fluída trajectória que é uma pessoa. Quando fazemos planos para o futuro, quando nos sacrificamos agora para aproveitar depois, estamos a tirar de quem somos para dar a alguém que poderá ser muito diferente, a alguém que nos possa desiludir e cuja distância não se meça apenas na partilha de um mesmo ADN, nome e número fiscal. Mas fazê-mo-lo porque é esta a diplomacia possível, a doce e necessária ilusão deste querer de constância, deste achar-nos perenes, invariantes, no percurso a que chamamos vida. Já olhar para o passado, exercitar nele a nostalgia, gozar emoções, gestos, memórias perdidas, é uma homenagem, um reconhecer agradecido à difusa sequência de ténues estranhos que tiveram a amabilidade, que correram o risco, de nos trazer aqui.

maio 20, 2008

Adágio Declarativo

O que é a verdade? Veja-se por exemplo, um relógio. Este instrumento de ponteiros (se os tiver) é, para além da sua função óbvia, testemunha de como resolver uma pergunta semelhante, o que é o tempo?, que tantos no passado procuraram desvendar. No geral, estas questões são intangíveis. No concreto, as soluções tornam-se possíveis, por vezes até, triviais: 17:03, informam os (eventuais) ponteiros. O Dr. Spleen sabe que esta constatação, este simplificar de grandiosos projectos filosóficos para nadas quotidianos não agrada ao que procura dificuldades, relativismos ou dogmas por petrificar. Cada momento é necessário, e muitas vezes suficiente, à resposta da dificuldade que coloca. Como, no instante que se segue, as questões de se o bastão segurado por Dabila é real ou imaginário, se a dívida por pagar do gestor imobiliário ali deitado é ficcional ou verdadeira, se o medo da morte que se aproxima é uma construção social ou, apenas, o desenrolar de um facto que se declara.

maio 12, 2008

Escolha

O poder (político, militar, religioso) tem semelhanças com o sistema imunitário. Ambos são desenhados para a manutenção de uma sociedade complexa que os suporta, ambos precisam de oponentes para continuarem fortes, tendo uma elite capaz de os eliminar, ambos, em caso de inacção, viram-se contra si próprios. Só que no poder a capacidade de auto-preservação é, em parte, da sua própria responsabilidade. Pode escolher o inimigo bem como difundir aos que subjuga, a mensagem necessária à sua sobrevivência.

maio 07, 2008

Diferenças

Entre a eucaristia realizada por verdadeiros crentes e o evento, similar nos gestos e palavras, animado por um teatro de actores, estão, apenas e só, a tradição que sustenta os primeiros e o enredo que guia os segundos.

maio 05, 2008

Permanência

Gritar-se inocente é, para todos os efeitos, o mesmo que afirmar falar-se verdade. A reiteração verbal de uma intenção, de outra frase, de um olhar até, não serve como mecanismo de garantia. Ela promove, aliás, uma subtil intuição de culpa. O Dr. Spleen também por isso (que uma convicção não é um edifício montado num alicerce de dogmas, mas sim o suster de uma rede cruzada de argumentos lógicos) acha inútil o exigir ao réu essa sua interpretação dos factos, tingida que está de uma parcialidade insuportável porque inevitável. Que Dabila esteja repetidamente focado no baço do industrial vinícola errado é um facto que não se reverte. Como recuperar a vítima de um equivoco? Se somos as acções que fazemos, como (e para quê?) permanecer no eu que perdemos a cada dia que passa?

maio 02, 2008

Abismo

Quando se mente, isso reflecte o carácter moral. Quando se acredita em algo contra as evidências, isso reflecte a capacidade de julgar. Uma pobre capacidade de julgamento é pior que um mau carácter moral, porque ao segundo, mesmo que subjugado ao interesse próprio, se aplica a razão da auto-preservação. Já a cegueira do primeiro impede-lhe o vislumbre do desastre.

abril 30, 2008

Limites

Fará sentido perguntar, no âmbito da Ciência, o que é um dado conceito? Por exemplo, a carga eléctrica dos electrões e protões. Construímos um modelo muito fiel da electricidade, somos capazes de elaborar sistemas eléctricos complexos cujo comportamento entendemos e controlamos, conseguimos explicar miríades de fenómenos relacionados. Mas o que é a carga eléctrica? Terá esta tentativa de interrogação uma resposta?

abril 26, 2008

Democracia e Liberdade

Democracy is not freedom. Democracy is two wolves and a lamb voting on what to eat for lunch. Freedom comes from the recognition of certain rights which may not be taken, not even by a 99% vote. (…) Voters and politicians alike would do well to take a look at the rights we each hold, which must never be chipped away by the whim of the majority. [citação citada aqui]

abril 16, 2008

Retrato

Um regulamento moral é um conjunto de preceitos derivados de uma tradição e mantidos por uma classe profissional de sacerdotes. Esse regulamento, que cria a rede de crenças e que mantém essa classe, é uma burocracia ética cuja própria mudança é sempre mais lenta que as mutações inevitáveis da sociedade. O ónus dessa diferença crescente, entre o que era suposto no passado e no presente, recai, fora esporádicas e imprevisíveis revoluções, na população que alimenta o sacerdócio. O objectivo de uma burocracia não é retratar o real, mas subjugá-lo às arbitrariedades que a prolongam; é um espelho a fingir-se uma janela.