setembro 12, 2005
setembro 09, 2005
Criacionismo
Vinte e três séculos depois, Darwin elaborou esta ideia (não sei se alguma vez leu sobre Empédocles ou, lendo, se fez algum paralelo significativo), dando-lhe um cunho científico e iniciando uma revolução de mentalidades com poucos paralelos na História. Hoje em dia, 150 anos depois, personalidades do Criacionismo admitem a existência de evolução mas recusam a componente aleatória subjacente ao processo de selecção natural. Dizem que estes mecanismos (como a mutação genética) são resultado da intervenção divina (leia-se, de um desenho inteligente). Ring a Bell?
Ps: A versão inicial do Criacionismo (a terra tinha pouco mais de seis milénios e os dados que invalidavam esta ideia – como os fósseis – eram apenas provas de fé plantadas por Deus) era patética. Esta nova interpretação, ao substituir cirurgicamente a selecção natural pelo desenho inteligente é coerente, apesar de não existir qualquer dado empírico nesse sentido (a fé não se alimenta de informação científica). Este é um adversário muito mais resistente e perigoso.
Este post e o anterior são contributos ao trabalho do pessoal do Diário Ateísta.
Por João Neto às 09:17 0 comentário(s)
setembro 08, 2005
setembro 05, 2005
Alguns pontos sobre evolução
Todas as espécies que existem estão relacionadas. Porém, todos os antepassados do Homo Sapiens estão extintos (irmãos e primos são da mesma família, mesmo após a morte dos pais e avós).
Os organismos não evoluem. As populações sim. A evolução refere-se às mudanças nas populações ao longo do tempo.
Os genes são unidades de hereditariedade. Contêm informação necessária (nem sempre suficiente) ao desenvolvimento das características próprias de um organismo. A evolução é possível pelo facto desta informação poder variar no momento da reprodução (pela mistura genética dos pais, por uma falha no processo de cópia). O sexo é apenas um mecanismo possível de reprodução. O papel fulcral do sexo é a mistura.
Quando uma nova característica genética permite ao organismo uma melhor adaptação ao ambiente onde se insere, a taxa de sobrevivência e reprodução do indivíduo aumenta (por exemplo, porque é mais forte, mais rápido ou mais cooperante). Através da reprodução, esta adaptação tende a espalhar-se pela população a que pertence. Quando uma adaptação é prejudicial, esta tende a diminuir na população. Este processo de mudança ao longo do tempo chama-se selecção natural.
Modificações não genéticas ocorridas durante a vida de um organismo não são geneticamente transmitidas à população. Por outras palavras, os traços adquiridos não fazem parte da evolução.
O processo de variação genética é aleatório mas a evolução não. Isto porque a selecção natural está relacionada com o ambiente onde a população se insere. Os organismos não ficam melhores ao longo do tempo, adaptam-se melhor ao ambiente onde estão inseridos. Referência [1]
Por João Neto às 08:54 0 comentário(s)
setembro 02, 2005
Transferência
Já não se procura nos deuses uma forma de domínio sobre a natureza. A tecnologia e o suporte da ciência escoram a civilização. Já não se procura nos deuses a expressão de uma lei divina que nos ordene. A lei civil, legislada e mutável, é uma ferramenta mais apropriada e humana. Já não se procura nos deuses histórias para ferver a imaginação gasta no espremer dos dias. A invenção da literatura e de tudo o resto dão-nos mundos mais complexos e revigorantes que as sagas antigas. Talvez reste aos deuses o segredo nunca desvendado do sentido da vida. Mas o que sabem os seus funcionários (padres, imãs, rabis, xamãs) desse ininteligível? Porque devemos nós, adultos, transferir-lhes o esforço, a responsabilidade e a obrigação de construir esse sentido da vida, já que o fazemos sempre na obra que deixamos? Porque escolher uma moral já pronta em vez de uma ética conquistada? Por ser mais fácil?
Por João Neto às 08:58 0 comentário(s)
setembro 01, 2005
Vantagem
Por João Neto às 10:08 0 comentário(s)
julho 21, 2005
Exteriorização
Quando o tirano me ameaça e convoca, eu respondo, ‘quem é esse que intimas?‘. Se ele diz, ‘colocar-te-ei em grilhetas’, eu respondo, ‘é a minha mão e os meus pés que ameaças’. Se ele diz, ‘decapito-te’, eu digo, ‘é o meu pescoço que ameaças’… Então ele não te ameaça de forma alguma? Não, desde que eu considere que nada disso sou eu. Mas se eu me deixar levar por estas intimidações então sim, ele ameaça-me. O que sobra para eu ter medo? Um homem que domine as coisas em meu poder? Não existe tal homem. Um homem que domine o que não está em meu poder? Porque me preocuparia eu com ele? [Discursos, Epictetus]
Por João Neto às 09:49 0 comentário(s)
julho 20, 2005
Ponto
Por João Neto às 09:24 0 comentário(s)
julho 18, 2005
Livre Arbítrio (2/2)
É comum pensar que o ambiente é mais ‘amigável’ por ser mais facilmente manipulado. Depende. Em termos profiláticos, adaptar o ambiente para melhorar certas condições pode ser mais fácil que a terapia génica (i.e., corrigir deficiências no ADN) mas as próximas décadas de avanço tecnológico terão a palavra. Porém não se pode modificar o ambiente do que se passou (não podemos ter pais novos ou mudar o país onde nascemos) da mesma forma que não se pode, hoje, alterar a nossa herança genética.
As influências do ambiente e da herança genética têm a sua quota de influência (que varia ao sabor dos avanços e recuos civilizacionais). Mas não há mais nada? Mesmo num contexto onde o ambiente é controlado e a componente cultural não existe (e.g., experiências com bactérias ou insectos), a genética não determina totalmente as características dos indivíduos. Dois clones do mesmo organismo têm corpos distintos. Uma razão (haverá outras) é a componente não-linear do processo embrionário, ou seja, a existência de fenómenos caóticos que, para todos os efeitos, têm carácter aleatório (mesmo sendo o sistema totalmente determinista). Há sempre espaço para a “sorte” na discussão entre o ambiente e a genética. Esta facto tem uma implicação importante: determinismo não implica inevitabilidade. Mas nesta luta de decidir o futuro entre ambiente, genética e acaso, haverá espaço para mais alguma coisa? Qual a margem de manobra reservada a nós próprios? Refs [Gould 78, Dennet 04]
Por João Neto às 09:50 0 comentário(s)
julho 15, 2005
Livre Arbítrio (1/2)
Por João Neto às 08:48 0 comentário(s)
julho 13, 2005
Singularidades
Por João Neto às 10:36 0 comentário(s)
julho 11, 2005
Auto-retrato
Por João Neto às 09:47 0 comentário(s)
julho 08, 2005
não saibam nada
Por João Neto às 11:42 0 comentário(s)
julho 06, 2005
julho 04, 2005
Nós
"Nós seguimos em frente, como um só corpo com milhões de cabeças, e dentro de cada um de nós reinava a suave alegria que constitui, provavelmente, a vida das moléculas, dos átomos, dos fagócitos. No mundo antigo, os cristãos compreendiam bem o que isso era: a modéstia é uma virtude, o orgulho é um vício; compreendiam também que Nós vem de Deus, ao passo que Eu vem do Diabo.
Lá ia eu, caminhando ao passo como todos, mas, apesar de tudo, isolado deles. Tremia ainda no seguimento das perturbações recentes, tal como treme a ponte sobre a qual passou um comboio daqueles de antigamente. Tinha consciência de mim mesmo. Ora o conhecimento de si, o reconhecimento da própria individualidade só o têm o olho onde acaba de cair um cisco, o dedo esfolado, o dente dorido. Quando sãos, o olho, o dedo, o dedo não têm existência alguma. Não prova isto claramente que a consciência de si é de facto uma doença?"
Por João Neto às 10:14 0 comentário(s)
junho 30, 2005
Bengalas
É provável que hoje a componente social seja menos relevante e que as bengalas demorem menos a 'infectar' parte significativa da população pela capacidade de transmissão da TV. Não faço colecção de bengalas nem ligo muito, excepto em casos extremos (eu por vezes, uso a bengala 'é um facto' como resposta padrão ou no fim de certas frases), mas não consigo deixar de notar a quantidade de pessoas a usar o 'é assim:'. Esta bengala apoderou-se de jovens a velhos de forma indiscriminada (pelo menos em Lisboa e arredores). Um assunto interessante (mesmo que inútil) conhecer as origens, o fluxo e o ciclo de vida das bengalas linguísticas.
Ps: Se é mau apoiar-se em demasiadas bengalas enquanto se fala, é ainda pior fazê-lo na escrita. É difícil evitá-las todas mas uma revisão cuidada do texto elimina muitas.
Por João Neto às 18:10 0 comentário(s)
junho 29, 2005
Deflação
Por João Neto às 09:13 0 comentário(s)
junho 27, 2005
O Impacto Ambiental de um Texto (parte 2 de 2)
Uma estudante de Daniel Dennet desenvolveu um exemplo que retira esta discussão da terra da fantasia da filosofia para a realidade. Ela trabalha na pesquisa da SIDA e percebe os perigos que envolvem esta actividade:
Digamos que descubro que o HIV pode ser erradicado de um individuo infectado sobre circunstâncias ideais (total cooperação do doente, total ausência de efeitos inibitórios das drogas usadas, total ausência de contaminação de outras linhas de vírus, etc.) com quatro anos de regime terapêutico. Eu posso estar errada. Posso ter calculado algo mal, ter lido de forma errada alguns dados, ter julgado mal os doentes da experiência ou ter feito uma estimativa muito optimista. E posso errar em publicar estes resultados, mesmo que sejam verdade, devido ao seu impacto ambiental: os mass media podem descrever mal a história, podem descrever mal o processo do tratamento. E alguma dessa culpa é minha. Especialmente se eu usar a palavra "erradicar", que no contexto dos vírus significa a eliminação total do planeta, enquanto pretendia referir apenas uma das estirpes do vírus. Por exemplo, uma complacência irracional poderia espalhar-se ("A cura da SIDA já existe logo não me preciso preocupar mais"). As taxas de incidência de grupos de risco voltariam a aumentar. E pior: a globalização do tratamento poderia aumentar a resistência desse vírus porque muitos não levariam o tratamento até ao fim.
[adaptado do "Freedom Evolves" de Daniel Dennet, Penguin Books, 2003]
Por João Neto às 09:13 0 comentário(s)
junho 24, 2005
Inevitabilidade

(c) Jeff Arthur
Por João Neto às 11:36 0 comentário(s)
junho 23, 2005
Troco
Por João Neto às 10:07 0 comentário(s)
junho 21, 2005
O Impacto Ambiental de um Texto (parte 1 de 2)
Os estudiosos e investigadores, nas suas tradicionais torres de marfim, tipicamente não se preocupam com a responsabilidade que têm no impacto "ambiental" do seu trabalho. As leis da difamação não fazem asserções sobre os males que os textos podem trazer a terceiros, mesmo que indirectamente (focam-se somente na difamação propriamente dita). Que mal um matemático ou um crítico literário podem trazer na execução honesta do seu trabalho? Mas em campos onde as apostas são mais altas há uma tradição em ter especial cuidado e tomar responsabilidades particulares para assegurar que nenhum mal ocorra das suas acções (por exemplo, o juramento de Hipócrates tem este papel para os médicos). Engenheiros, sabendo que a vida de milhares de pessoas pode depender da forma como se constrói uma ponte, executam procedimentos específicos para determinar, segundo o melhor conhecimento humano daquele momento, que o desenho e construção desta é segura.
Quando um académico aspira a ter impacto no mundo "real" (em oposição com o mundo "académico") precisa adoptar as atitudes e hábitos destas disciplinas mais aplicadas. É necessário responsabilizar-se pelo que se diz, reconhecendo que as palavras escritas, se acreditadas por outros, podem provocar consequências profundas para o bem e para o mal. E não é só isso. É preciso reconhecer que estas palavras podem ser mal interpretadas e, até certo grau, é-se responsável pelas prováveis más interpretações da mesma forma que se é pelos efeitos da versão correcta. [cont.]
Por João Neto às 11:03 0 comentário(s)
junho 20, 2005
Os mesmos outros
Por João Neto às 09:08 0 comentário(s)
junho 17, 2005
Invariante
Por João Neto às 11:24 0 comentário(s)
junho 16, 2005
Distorção
Por João Neto às 10:06 0 comentário(s)
junho 14, 2005
Matemática vs. Ciência
Por João Neto às 14:58 0 comentário(s)
junho 09, 2005
Inércia
O normal é um intricado nó de convenções muito difícil de desatar.
Por João Neto às 08:41 0 comentário(s)
junho 07, 2005
Perda
Por João Neto às 10:11 0 comentário(s)
junho 06, 2005
Comédia
(só numa semana) Um presidente que aposta biliões de dólares no carvão para combater o desafio energético do futuro. Um senador que faz campanha numa mega-igreja ao lado de fundamentalistas religiosos (a dizerem-se uma ameaça ao Estado laico, a dizerem-se tolerantes mas chamando doentes mentais aos homossexuais). Empresas que proíbem os empregados de fumarem nas suas casas (fazendo análises periódicas à urina). Professores desaconselhados de usar tinta vermelha nas avaliações por ser traumatizante. A qualidade dos comediantes é também um reflexo da sociedade onde se inserem, e os do Daily Show são tão brilhantes como medonha é a aberração que alguns querem transformar os EUA.Por João Neto às 08:36 0 comentário(s)
junho 03, 2005
Diabolo

Por João Neto às 09:37 0 comentário(s)
junho 02, 2005
Errar é Humano
Entender não é desculpar. Desculpar não é esquecer. Esquecer é um erro.
Por João Neto às 14:32 0 comentário(s)