fevereiro 28, 2005
fevereiro 25, 2005
Distância
Por João Neto às 07:42 0 comentário(s)
fevereiro 22, 2005
Modos
Por João Neto às 14:25 0 comentário(s)
fevereiro 21, 2005
Violência (última parte)
O psicólogo social Philip Zimbardo mostrou que estes mecanismos podem ser efectivos mesmo com estudantes universitários. Zimbardo criou uma prisão simulada numa cave da Universidade de Stanford. Aleatoriamente, seleccionou estudantes para os papéis de guardas e prisioneiros. Os 'prisioneiros' usavam vestimentas degradantes, grilhetas e outros acessórios sendo referidos não por nome mas por um número. Rapidamente, os 'guardas' começaram a abusar da sua posição, brutalizando-os – obrigavam-nos a fazer flexões colocando-se nas suas costas, molhavam-nos com extintores, obrigavam-nos a limpar retretes só com as mãos – de tal modo que Zimbardo teve de terminar as experiências com medo da segurança física dos 'prisioneiros'!
Na outra direcção, o círculo pode aumentar pela observação de algum sinal de humanidade da parte da vítima. George Orwell, aquando da sua experiência na guerra civil espanhola, disse um dia ter um soldado inimigo na sua mira, e só não disparou porque este corria enquanto segurava as calças com as mãos. "Não o matei pelo detalhe das calças. Tinha vindo para matar Fascistas, mas um homem que segura as próprias calças não é um ‘Fascista’, ele é um semelhante como um de nós.". Claro que não nos devemos iludir com este exemplo (Orwell foi um das principais vozes morais do século XX). As pessoas são capazes de colocar desconhecidos dentro do seu círculo moral, mas provavelmente, o comportamento por defeito é deixá-los de fora.
Por João Neto às 10:23 0 comentário(s)
fevereiro 17, 2005
Má forma
De todos os exercícios, são os de hipocrisia que me deixam em pior forma.
Por João Neto às 16:50 0 comentário(s)
fevereiro 16, 2005
Embrulho
O que é moderno vem sempre coberto na superfície atraente da novidade.
Por João Neto às 09:03 0 comentário(s)
fevereiro 14, 2005
Violência (parte III)
A selecção natural é impulsionada pela competição, o que significa que os produtos da selecção natural – máquinas de sobrevivência usando a metáfora de Richard Dawkins – devem, por defeito, fazer o que for preciso para sobreviverem e se reproduzirem. Se um obstáculo surge no caminho, ele deve ser neutralizado ou eliminado. Para um indivíduo, estes obstáculos podem incluir outros indivíduos, por exemplo, alguém que monopolize recursos essenciais como terra ou comida. Esta visão cínica pode não parecer verdade porque não estamos habituados a ver os outros como meros elementos do exterior que possam ser neutralizados como erva daninha. A não ser que sejamos psicopatas, nós simpatizamos com os outros e não os vemos como obstáculos ou presas. Esta simpatia, porém, não tem prevenido um sem número de atrocidades ao longo da história. A contradição pode talvez ser resolvida se assumirmos que as pessoas possuem um "círculo moral" que as faz incluir não toda a humanidade, mas apenas membros do seu clã, vila ou tribo. Dentro do círculo, as pessoas são alvos de simpatia, fora do círculo apenas elementos externos como rochas, rios ou animais.
Esta observação que as pessoas podem ser moralmente indiferentes a quem esteja fora do círculo moral sugere de imediato uma possibilidade para a redução da violência: entender a psicologia deste mecanismo de forma a alargá-lo a toda a Humanidade. Este alargamento parece estar a ocorrer ao longo dos últimos milénios, motivado pelo constante crescimento das redes de reciprocidade entre as diferentes culturas, tornando cada mais pessoas mais úteis vivas que mortas. Este processo é ajudado pela tecnologia que facilita o acesso à literatura estrangeira, às viagens, ao conhecimento da História e da Arte que ajuda a projectar-nos nas vidas daqueles que no passado foram inimigos mortais. [cont.]
Por João Neto às 09:42 0 comentário(s)
fevereiro 11, 2005
Distância
Por João Neto às 09:09 0 comentário(s)
fevereiro 04, 2005
Representatividade
O que é votação múltipla? Um exemplo é o voto ser descrito por uma ordenação de preferências (por exemplo, prefiro o candidato A, depois o B e só depois o C). Este tipo de votação é conhecido por contagem de Borda. Borda foi um matemático francês do século XVIII que propôs este sistema para eliminar potenciais injustiças da aplicação do voto único. Um exemplo simples: sejam três candidatos A, B e C. Num Universo de doze pessoas há: (a) cinco eleitores que preferem A, depois preferem B, sendo C a sua última escolha (vamos abreviar esta opinião dizendo A>B>C); (b) quatro eleitores com opinião B>C>A e (c) três eleitores com C>B>A. Usando o sistema de voto único, o candidato A ganha com 42% dos votos. Mas, se o candidato B desistisse a meio da campanha, seria C quem ganharia a eleição. De igual forma, se fosse C a desistir, ganharia B. Ou seja, A perderia sempre a eleição numa 2ª volta, mas acaba por ganhar numa corrida a três(!). Se por outro lado, atribuíssemos pontos às preferências descritas destas doze pessoas (três pontos para o 1º lugar, dois pontos para o 2º e um ponto para o 3º), o candidato A obtinha 22 pontos, B obtinha 33 pontos e C teria 21 pontos. B seria o (mais justo) vencedor.
Há alguns argumentos contra: (a) "é muito complicado pedir às pessoas para ordenar N partidos"; apesar de não concordar com argumentos baseados na suposta incapacidade eleitoral de uma população, este problema não existiria se cada eleitor designasse apenas as suas três ou quatro primeiras preferências; (b) "o método de contagem torna-se mais complexo"; é um facto, mas optando por poucas preferências o problema é minimizado e, de qualquer forma, as urnas electrónicas (e a respectiva contagem automática) serão a norma no futuro próximo; (c) "é possível que os eleitores façam votos estratégicos, i.e., darem a pontuação máxima ao seu partido, sem escolher qualquer outra opção para minimizar potenciais adversários"; se todos se comportassem assim (uma situação académica quando falamos de milhões de eleitores) teríamos, na pior das hipóteses, um resultado igual ao do sistema actual.
Este tipo de votação tornaria menos agressiva a eleição uninominal (i.e., um deputado por círculo eleitoral, um método mais representativo que as listas actuais). Um dos medos dos círculos uninominais é o cilindrar dos partidos pequenos – principalmente devido ao sistema do voto único (só o mais votado seria escolhido). Num sistema de voto múltiplo, um candidato de um partido pequeno pode ser eleito mais facilmente: não precisa ser aquele com mais votos, basta ser a 2ª opção de um número suficiente de pessoas.
Notas [I,II,III]
Existem outros tipos de votação. Por exemplo:
- Voto de Condorcet – também funciona por ordenar as preferências, mas testasse os resultados de todas as segundas voltas possíveis (no exemplo anterior, B ganha a A, B ganha a C e C ganha a A, logo B seria o escolhido por ganhar todos os confrontos individuais). Já foi considerado melhor que a contagem de Borda, mas hoje em dia há argumentos matemáticos em contrário.
- Voto por créditos – cada eleitor tem um número de créditos que pode distribuir como quiser (é uma generalização do voto único; o voto único é o caso particular em que os eleitores depositam todos os seus créditos no candidato preferido).
- Voto por aprovação – cada eleitor pode votar em vários candidatos (todos com igual peso). Aquele que obtiver mais aprovações é o escolhido.
Por João Neto às 15:18 0 comentário(s)
Fluxo
Por João Neto às 11:00 0 comentário(s)
fevereiro 03, 2005
fevereiro 01, 2005
Repetição
Por João Neto às 16:17 0 comentário(s)
janeiro 31, 2005
Violência (parte II)
A questão do que correu errado (social ou biologicamente) quando alguém se tornou violento está mal colocada. Quase todos concordam no uso de violência para defender-se a si próprio, à família ou a vítimas inocentes. A diferença entre ser-se 'heróico' ou 'patológico' depende bastante do ponto de vista: resistente ou terrorista, Robin Hood ou ladrão, anjo ou vigilante, nobre ou senhor da guerra, mártir ou kamikaze, general ou líder de um gang, estas diferenças estão no valor do nosso julgamento, não são classificações científicas. É duvidoso que existam grandes diferenças nos respectivos genes ou cérebros destes protagonistas considerados tão opostos.
A violência é mais um problema político e social. Claro que os fenómenos designados sociais ou políticos não são misteriosos eventos externos como as manchas solares, eles são resultado de uma visão e de uma dinâmica partilhada por um conjunto de pessoas num dado momento e num dado local. Desta forma, não será possível entender a violência sem um entendimento de como a mente humana funciona. [cont.]
Por João Neto às 09:34 0 comentário(s)
janeiro 27, 2005
Auschwitz

Por João Neto às 10:51 0 comentário(s)
janeiro 26, 2005
Separação
Por João Neto às 09:07 0 comentário(s)
janeiro 24, 2005
As memórias de Adriano
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As Memórias de Adriano da escritora Marguerite Yourcenar é uma longa e última carta do Imperador Adriano ao neto adoptivo Marco Aurélio, sobre a sua vida (que agora termina) e a do Império que procurou pôr ao serviço dos homens. É impressionante o exercício de reflexão, de literatura que este livro encerra, quase nos fazendo esquecer que também é uma ficção. Um pequeno excerto:
O futuro do mundo já não me inquieta; já não me esforço por calcular, com angústia, a duração mais ou menos longa da paz romana; entrego isso aos deuses. Não é porque passasse a ter mais sabedoria do homem; a verdade é ao contrário. A vida é atroz; sabemos isso. Mas precisamente por espero pouco da condição humana, os períodos de felicidade, os progressos parciais, os esforços de recomeço e continuidade parecem-me outros tantos prodígios que compensam quase a massa enorme dos males, dos fracassos, da incúria e do erro. Hão-de vir as catástrofes e as ruínas; a desordem triunfará, mas também a ordem, por vezes. A paz instalar-se-á de novo entre dois períodos de guerra; as palavras liberdade, humanidade, justiça reencontrarão aqui e ali o sentido que temos tentado dar-lhes.
Por João Neto às 17:15 0 comentário(s)
janeiro 21, 2005
Fé
Por João Neto às 09:54 0 comentário(s)
janeiro 19, 2005
Violência (parte I)
Existem muitas razões para acreditar que a violência humana não é uma doença ou um desvio mas sim parte do nosso desenho. Antes de as apresentar, deixem-me dissipar dois medos:
O primeiro medo é que uma análise destas se limite a reduzir a violência a genes “maus” dos indivíduos violentos, com a temida implicação de existir uma correlação com determinadas étnias. Há poucas dúvidas que certas pessoas têm uma maior tendência violenta que outras. Os homens são um bom exemplo. Através das culturas, a taxa de homens a matar homens é de vinte a quarenta vezes superior que a taxa de mulheres a matar mulheres. Os psicólogos encontram padrões de personalidade em muitos indivíduos violentos: tendem a ser impulsivos, possuem baixa inteligência, são hiperactivos e têm problemas de atenção. São descritos como tendo um temperamento oposicional: vingativos, enfurecem-se facilmente, são resistentes ao controlo, deliberadamente incómodos, com tendência para culpar os outros. Mas o que pretendo defender é que este não é o principal factor de violência. Há guerras que começam e terminam, há flutuações das taxas de criminalidade, as sociedades militares passam a pacifistas ou vice-versa, tudo em pouco mais de uma geração, ou seja, sem alterações do património genético dessas sociedades. Apesar de existir variações nas taxas de criminalidade nos diferentes grupos étnicos, isso não significa que haja uma explicação genética, dado que a taxa de um grupo pode ser igual à taxa de outro grupo noutro momento do passado. Os pacíficos escandinavos tiveram como antepassados os Vikings. A violência em Africa pós-colonialista é similar à da Europa após a queda do Império Romano. Qualquer grupo étnico actual, para ainda existir, teve provavelmente alguns antepassados agressivos.
O segundo medo é que pessoas com tendências violentas não são capazes de se controlar, ou que são violentas constantemente. De facto, se o cérebro está preparado para usar estratégias violentas, estas estratégias são contingentes, ligadas a processos complexos que determinam quando devem ser utilizadas. Os animais utilizam a violência de forma altamente selectiva. Os humanos são ainda mais calculistas. A maioria das pessoas passa a sua vida adulta sem premir os seus botões de agressividade. [cont.]
Por João Neto às 09:56 0 comentário(s)
janeiro 17, 2005
Perspectiva
Que magnifico o Presente quando no centro dele te encontras.
Por João Neto às 09:18 0 comentário(s)
janeiro 13, 2005
Fundamento
Por João Neto às 09:21 0 comentário(s)
janeiro 10, 2005
Domínio

A fragilidade dos futuros possíveis não depende só desse passado imutável dificilmente conhecido por inteiro. Depende - também e agora - do nosso próprio gesto.
Por João Neto às 09:03 0 comentário(s)
janeiro 06, 2005
Escalada
Por João Neto às 09:26 0 comentário(s)
janeiro 04, 2005
Redução

Por João Neto às 08:58 0 comentário(s)
janeiro 03, 2005
Distribuição
Por João Neto às 09:06 0 comentário(s)
dezembro 28, 2004
Requisitos
Por João Neto às 11:55 0 comentário(s)
dezembro 23, 2004
Troca
Por João Neto às 10:38 0 comentário(s)
dezembro 21, 2004
Saída lateral
Por João Neto às 10:14 0 comentário(s)
dezembro 20, 2004
Convergência III
Por João Neto às 16:00 0 comentário(s)
dezembro 17, 2004
Porquês
Por João Neto às 08:47 0 comentário(s)
dezembro 16, 2004
Participação
Por João Neto às 09:22 0 comentário(s)

