outubro 25, 2004
outubro 22, 2004
Fronteiras V

Por João Neto às 09:48 0 comentário(s)
outubro 21, 2004
Contraste
Por João Neto às 09:33 0 comentário(s)
outubro 19, 2004
Epiderme
Como prevenir o contágio da rotina e do quotidiano? Como recusá-lo?
Por João Neto às 09:28 0 comentário(s)
outubro 18, 2004
Heresias: "De volta a Hobbes"
No século XX o estado era o pior inimigo da liberdade. Hoje, é a fraqueza de um estado que mais ameaça a liberdade. Em muitos locais, os estados colapsaram. Noutros, estão corruptos ou corroídos. O resultado é a falta, a biliões de pessoas, das mais rudimentares condições de vida. Mesmo nos estados mais ricos, o medo do crime é insidioso. No entanto, os liberais – devido ao terrível registo dos crimes de estado contra a Humanidade – continuam a acreditar que o maior desafio da política é a limitação do poder do estado. Assumindo que as liberdades individuais nunca devem ser violadas, insistem que todas as acções de um governo devem ser consistentes com essas liberdades.
O problema desta filosofia liberal simplista é considerar a liberdade como a condição que surge naturalmente logo que a repressão governamental seja removida. Na verdade, a liberdade é uma construção extremamente complicada e delicada que só pode ser mantida por um processo de ajuste contínuo. Ao contrário da corrente liberal dominante, a liberdade não é um sistema de direitos inter-relacionados que deve ser mantido sobre qualquer preço. Uma liberdade pode revogar outra. A política é a arte de escolher entre liberdades rivais.
No mundo virtual dos filósofos liberais, não precisamos escolher qual das liberdades damos mais valor. Numa Constituição bem construída podemos tê-las todas. Esta é a visão constantemente reiterada de juristas liberais como John Rawls e Ronald Dworkin. No mundo real, as coisas ocorrem de forma distinta. [...] No fundo, o estado existe para assegurar a paz. Quando a paz está em rota de colisão com a liberdade, é esta que perde sempre. Como Hobbes sabia, o que as pessoas querem mais do estado é protecção não liberdade. Pode ser uma infelicidade constatar isto, mas fundamentar uma filosofia política na negação da natureza humana é um erro. É melhor enfrentar os factos. As liberdades pessoais podem por vezes entrar em conflito com as necessidades. Quando isso acontece, é tarefa do estado encontrar um meio termo, o mais satisfatório possível, que garanta aos cidadãos um nível aceitável de segurança.
[...] Para proteger os cidadãos, o estado pode ter de os submeter a níveis elevados de segurança. Ao mesmo tempo, deve evitar tentativas exageradas de regulamentação em assuntos onde seja contraproducente para a sociedade. As atitudes actuais sobre a droga e o terrorismo ilustram as falhas dos pontos de vista prevalecentes de direita e esquerda. Uns dizem que a luta à droga e a luta ao terrorismo estão ligados e que devem ter poderes draconianos para lidar com ambos. Outros, suspeitos da retórica de guerra, insistem que os governos devem, em ambos os casos, estar sujeitos ao regime de direito. O que nenhum lado reconhece é que lidar com o terrorismo pode exigir um aumento dos poderes do estado, enquanto lidar com o problema da droga requer um estado menos intrusivo das liberdades pessoais.
Por João Neto às 10:11 0 comentário(s)
outubro 15, 2004
Ainda 1952
"Uma sociedade livre é uma sociedade onde é seguro ser-se impopular." - Adlai Stevenson (1952)
Por João Neto às 10:12 0 comentário(s)
outubro 14, 2004
Valor é...
Por João Neto às 09:07 0 comentário(s)
outubro 12, 2004
Inimigo Nosso

We have met the enemy and he is us - Walt Kelly(1952)
Por João Neto às 09:05 0 comentário(s)
outubro 11, 2004
Paragem
Por João Neto às 09:19 0 comentário(s)
outubro 08, 2004
Convergência III
Por João Neto às 09:32 0 comentário(s)
outubro 07, 2004
Aos Georges Bushes (XII)
Por João Neto às 08:55 0 comentário(s)
outubro 06, 2004
Cultura e Geografia (parte III)
A partir daí a geografia moldou o destino. A Eurásia é o maior bloco terrestre e uma enorme superfície para o eclodir de descobertas locais. Negociantes, viajantes e conquistadores podem transportar e espalhar essas inovações. Pessoas que vivam nos cruzamentos das movimentações históricas podem acumular um pacote de conhecimento muito difícil de obter de outra forma. Para além disso, a Eurásia é uma superfície horizontal, enquanto a América e a África são verticais. Animais e plantas usadas na China podem ser levadas mais facilmente por milhares de quilómetros para a Europa, na mesma latitude e com um clima aproximado. Já mil quilómetros para Sul ou Norte podem mudar um clima temperado para tropical. A transferência de espécies não é tão fácil, um cavalo pode ser usado de Portugal à China, mas a lama dos Andes não sobrevive no ambiente árido do México.

Um caso extremo, conta Diamond, é a Tasmânia onde se encontrava a cultura tecnologicamente mais atrasada da História registada. Ao contrário dos aborígenes australianos, os tasmaneses desconheciam o fogo, o boomerangue, as lanças, não tinham ferramentas especializadas nem sequer em pedra, não tinham canoas e não sabiam pescar. O incrível é estas tecnologias existirem na Austrália há mais de dez mil anos(!). O problema é que a Tasmânia foi separada da Austrália há muito tempo, isolando as respectivas populações. Todas as descobertas ocorridas até então foram-se perdendo na Tasmânia. Talvez porque os recursos na pequena ilha se esgotaram e os descendentes perderam as artes. Ou talvez os artesãos tenham sido todos mortos por uma geração de chefes fanaticamente conservadora. O que quer que tenha ocorrido, implicou na perda dessas tecnologias. Se isso acontecesse numa região Europeia bastava viajar à próxima região. Na Tasmânia não havia próxima região.
Por João Neto às 09:01 0 comentário(s)
outubro 01, 2004
Protecção

Por João Neto às 17:13 0 comentário(s)
setembro 30, 2004
Procura
Por João Neto às 10:00 0 comentário(s)
setembro 28, 2004
Conflito
Por João Neto às 10:51 0 comentário(s)
setembro 27, 2004
Cultura e Geografia (parte II)
A resposta do século XIX teve bases biológicas, i.e., raciais. Foi atribuída a disparidade às diferenças como as diferentes raças evoluíram. Brancos e amarelos (ou só os brancos, para os mais entusiasmados) eram mais evoluídos que pretos e vermelhos. A teoria seguinte (entrando já no século XX) estipulou que o comportamento é totalmente determinado pela cultura, sendo esta independente da biologia. Infelizmente, esta reformulação (para além de também estar errada) não responde à pergunta inicial: Porque há culturas com mais sucesso material que outras? De facto, não era a pergunta respondida como nem era sequer mencionada, dado que poderia levantar a suspeita que a mera questão insinuava que a superioridade tecnológica relacionava-se com o julgamento moral que uma cultura mais evoluída era "melhor" que uma menos evoluída. No entanto, é inegável que há culturas que obtém melhores condições de vida para os seus membros. E dizer que essa diferenciação é um produto do acaso é simplesmente uma outra forma de esconder o problema no tapete do politicamente correcto.
Mais recentemente, estudiosos como o economista Thomas Sowell e o psicólogo Jared Diamond, apresentaram uma outra proposta. Eles argumentam que a História não é só um palimpsesto de factos mais ou menos inesperados em sequência temporal. O destino das civilizações não depende da raça ou da sorte mas sim da capacidade humana de adoptar inovações externas combinada com as vicissitudes da geografia e da ecologia. [cont.]
Por João Neto às 09:07 0 comentário(s)
setembro 24, 2004
Convergência II
Por João Neto às 13:24 0 comentário(s)
setembro 23, 2004
Convergência
Por João Neto às 09:31 0 comentário(s)
setembro 21, 2004
Cultura e Geografia (parte I)
(baseado no 4º capítulo do livro "The Black Slate" de Steven Pinker)
Esta ideia é útil para entender porque diferentes culturas parecem tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais. Quando um grupo se separa da sua comunidade e os laços são cortados (por um acidente geográfico, por hostilidades prolongadas), não existe forma de difundir inovações entre os lados. À medida que cada grupo elabora o seu conjunto de descobertas e convenções, há uma progressiva divergência que produz duas culturas diferentes. Esta ramificação é facilmente visível na evolução das linguagens. Também Darwin tinha utilizado este exemplo como comparação à evolução natural. Normalmente, quanto mais próxima no tempo for a separação, mais próximas são as culturas.
As raízes psicológicas da cultura podem explicar porque alguns hábitos mudam mais facilmente que outros. Algumas práticas colectivas possuem uma inércia enorme porque impõem um custo pessoal muito elevado ao primeiro indivíduo que tentar mudá-las (as religiões estão repletas de exemplos). Outras mudanças só são possíveis por um acordo tácito da própria comunidade (como passar a conduzir à direita em Inglaterra).
Mas as culturas mudam, por vezes, de forma drástica. No Ocidente actual, a preservação da cultura tradicional é considerada uma grande virtude. Porém, muitas culturas não têm a mesma opinião. Quando há uma percepção generalizada que um outro comportamento social é melhor que o tradicional, as culturas absorvem, plagiam, copiam elementos do exterior com uma velocidade surpreendente (a febre dos telemóveis em Portugal...). As culturas não são monólitos parados no tempo, são porosas, possuem uma dinâmica permanente. O mesmo se passa com a linguagem: apesar da eterna lamentação dos puristas e das ameaças das respectivas academias, nenhuma linguagem actual se manteve igual por cem anos. Também as cozinhas tradicionais possuem raízes muito superficiais: as batatas na Europa, os tomates na Itália ou as malaguetas na Índia vêm de plantas do Novo Mundo. [cont.]
Por João Neto às 14:43 0 comentário(s)
setembro 20, 2004
Fronteiras V
Será o livre arbítrio a contingência do que (ainda) não sabemos?
Por João Neto às 09:24 0 comentário(s)
setembro 17, 2004
Glossolalia

A Torre de Babel - Peter Breugel
Por João Neto às 09:43 0 comentário(s)
setembro 15, 2004
Contacto
Por João Neto às 08:33 0 comentário(s)
setembro 13, 2004
Forma

A Resposta Imprevista - Magritte
Nem sempre a resposta é na forma dessa tua pergunta.
Por João Neto às 09:28 0 comentário(s)
setembro 09, 2004
Back from the Future (IV)
"Tudo começou com as unidades móveis de comunicação. Na espiral de mercado, esta tecnologia incorporou uma crescente gama de equipamentos que nada tinham a ver com o objectivo inicial de telefonar. As imagens em tempo real provocaram os primeiros impactos nas relações humanas mais instáveis, era agora possível exigir ao outro que mostrasse onde se encontrava num dado momento. Com a incorporação de sistemas de localização por satélite, o controlo tornou-se invisível e permanente. Alguém obsessivamente ciumento podia monitorar cada metro percorrido do conjugue. Mas o indivíduo ainda era capaz de desligar a sua unidade e tornar-se novamente anónimo. Não durou muito. Rapidamente, num contexto de combate ao medo e à crescente necessidade de segurança que permearam a vivência da sociedade de consumo dos séculos XXI e XXII, foram adoptados mecanismos biométricos generalizados (retina, DNA, padrões de feromonas). As unidades pessoais (cada cidadão estava obrigado por lei a usar uma) podia identificar a posição de todos que por ela se cruzavam ao mesmo tempo que controlava a situação do seu proprietário. A vantagem? Qualquer acidente, qualquer violência ou problema era instantaneamente assinalado e identificado. A corrupção e o crime quase desapareceram. A desvantagem? Mesmo desligando a própria unidade, já não se podia fugir ao 'controle protector' da sociedade. As poucas críticas que se levantaram, as Cassandras do seu tempo, não tiveram (nunca têm) suficiente força. Depois de duas, três gerações, o sistema de protecção tornou-se padrão, o cordão umbilical que a maioria temia perder. Muitos turistas, visitantes de locais inóspitos, sofriam a privação desse véu de segurança ubíquo que os mantinha seguros na Europa, na América, no Japão ou na China desenvolvida. [...] Em 1948, George Orwell escreveu um romance sobre uma sociedade omnipresente, baseada numa tecnologia de controle capaz de esmagar a liberdade individual para motivar valores e objectivos colectivos. Cento e cinquenta anos depois, por um caminho diferente do temido por Orwell (a via do totalitarismo), os cidadãos do Primeiro Mundo encontraram-se num cenário demasiado semelhante. Só que o caminho foi demasiado suave. Cada alteração, cada porta agora aberta, fora suficiente lenta para ocorrer despercebida. Como a face que não se olha ao espelho até nele ver o rosto do horror." - Sinh Naltaen, "O Degenerar da Segurança: 2001-2193", 2ª Ed.Por João Neto às 09:26 0 comentário(s)
setembro 08, 2004
Aos Georges Bushes (XI)
Alimentar o medo tem efeitos inesperados. O medo é menos dócil que um leão enfurecido.
Por João Neto às 13:35 0 comentário(s)
setembro 06, 2004
Comparações
Por João Neto às 18:13 0 comentário(s)
setembro 03, 2004
Erros nossos
Por João Neto às 09:32 0 comentário(s)
setembro 01, 2004
Necessidades
Por João Neto às 08:58 0 comentário(s)
agosto 30, 2004
Restos
Por João Neto às 10:52 0 comentário(s)
julho 28, 2004
Um ano de Ruminações
- 1984 de George Orwell. A vida de Winston Smith num regime ditatorial que absorveu todos os aspectos públicos e privados dos seus habitantes."It was terribly dangerous to let your thoughts wander when you were in any public place or within range of a telescreen. The smallest thing could give you away. A nervous tic, an unconscious look of anxiety, a habit of muttering to yourself—anything that carried with it the suggestion of abnormality, of having something to hide."
- Fahrenheit 451 de Ray Bradbury. O despertar de Guy Montag de um mundo de conteúdo simplificado onde livros são objectos para queimar. "Give the people contests they win by remembering the words to more popular songs.... Don't give them slippery stuff like philosophy or sociology to tie things up with. That way lies melancholy."
- O Processo de Franz Kafka. Joseph K. vê-se como réu de um processo judicial que não entende. "Não é necessário aceitar tudo como verdadeiro mas apenas aceitar aquilo que é necessário."
- Darkess at Noon ("O Zero e o Infinito" nas Ed. Europa-América) de Arthur Koestler. Nicholas Rubashov é um membro da velha guarda revolucionária da União Soviética (este livro é o único dos quatro que ocorre num país concreto e trata de acontecimentos verídicos mesmo que ficcionados) que se vê enredado nas purgas estalinistas dos anos 30. "A sua tarefa é simples: dourar o que é certo, enegrecer o que está errado. A política da oposição está errada. A sua tarefa é, pois, fazer com que a oposição se torne desprezível; fazer com que as massas compreendam que a oposição é um crime e que os dirigentes da oposição são criminosos. É esta a linguagem simples que as nossas massas compreendem. Se começar a falar das suas complicadas motivações, só conseguirá criar confusão nos espíritos."
Por João Neto às 08:39 0 comentário(s)