Utopias

O País da Cocanha - Peter Breugel (o velho)
ps: O livro Baudolino do Umberto Eco é uma óptima viagem por estas geografias imaginadas.
Morrerás em breve. É incontestável. E quanta verdade morrerá contigo sem saberes que a sabias. Só por não teres tido a sorte de num simples encontro ou encontrão ta fazerem vir ao de cima - Vergílio Ferreira

Por João Neto às 10:50

Por João Neto às 09:51
Por João Neto às 08:38 0 comentário(s)
Por João Neto às 13:23 0 comentário(s)
As minhas manhãs são normalmente difíceis. Sento-me face ao pão, que barro com lentidão,
vejo, por entre as pálpebras ainda pesadas, as imagens que saem daquela caixa mágica (que muita magia perdeu, mas que continua a ser mágica para os que, como eu, não sabem como ela funciona, nem estão muito interessados em sabê-lo).
Chegam-me, à mãos cheias, os medos do mundo. A droga mata. O tabaco mata. Dormir pouco mata. Dormir muito também mata. Um casal é esfaqueado. As casas do interior cedem face aos assaltantes, que deixam idosos lívidos no chão. Crianças desaparecidas. A morte nos países desenvolvidos é assim: um fantasma permanente, que não tem par senão no medo de envelhecer.
A morte no Terceiro Mundo é diferente. Conta-se aos milhares. Aumenta em segundos. Mas deixou de nos chocar.
Pois não dizia Mao Tze Tung que a morte de milhares é uma estatística? E que a morte de um indivíduo é uma tragédia? Quiçá deixámos de ver cada habitante dos países pobres como um indivíduo.
Levanto-me da mesa e levanto a mesa. Sigo para o dia que (não) me espera.
Por cristina às 11:40 0 comentário(s)
São como um cristal,
as palavras.
Algumas um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
Por João Neto às 09:38 0 comentário(s)
Por João Neto às 11:20 0 comentário(s)

Por João Neto às 14:36
Silêncio:
as cigarras escutam
o canto das rochas.
- Matsuo Banshô (1644-1694)
Por João Neto às 10:33 0 comentário(s)
- Mas como sobreviverão esses sábios?
- O povo alimentá-los-á dia após dia.
- O povo não pode vir um dia cansar-se de os alimentar?
- Quando, em toda a superficie da Terra, já não houver um único ser disposto a alimentar um sábio, é que o mundo já não merece os sábios e é tempo de eles se irem embora.
- Deixar-se-ão morrer?
- Quando o mundo tiver abandonado os sábios, os sábios desertá-lo-ão. Então o mundo ficará sozinho, e sofrerá com a sua solidão
Por João Neto às 13:34 0 comentário(s)
Serão os anjos voyeurs?
Ou sofrerão com o nosso sofrimento?
Talvez precisem dos nossos tormentos
para se sentirem (quase) vivos?
Porventura preferem correr atrás de nós
quando nos sentem embriagados
de felicidade.
Por cristina às 19:58 0 comentário(s)
Fui ver o Elephant, que foi seguido por uma longa insónia.
Como dormir depois de espreitar por cima deste elefante e aperceber toda a insanidade social de Columbine e sem a certeza de que logo à noite, quando ligar a televisão, não encontrarei imagens de outra escola, de outros jovens, do mesmo drama.
Como prevenir o que não se explica?
Como explicar o inconcebível?
Por cristina às 15:36 0 comentário(s)
Seja uma máquina de Turing M e um conjunto de dados iniciais I. Será que a execução de M sobre I termina?Assim, demonstrou por redução ao absurdo, que se existisse uma máquina de Turing capaz de garantir o problema da paragem de qualquer máquina de Turing, a execução dessa máquina, para certos casos, conduzia a situações contraditórias. Isto implicava que não havia nenhuma máquina capaz de resolver o problema da paragem nem o Entscheidungsproblem. O resultado negava a questão deixada em aberto por Gödel! A matemática revela-se incompletamente mecanizável, i.e., por mais complexo que seja o formalismo apresentado haverá sempre proposições indecidíveis que nem sequer podem ser identificadas como tal nessa formalização.
Por João Neto às 09:24 0 comentário(s)
America is the only country that went from barbarism to decadence without civilization in between.
Oscar Wilde
I am not young enough to know everything.
Oscar Wilde
Por cristina às 18:49 0 comentário(s)
Pensamento n. 1: Nem sempre as coisas são o que parecem (trivialidade)
Pensamento n. 2: A discrepância é particularmente importante quando a promessa é grande
Exemplo: Recentemente tive oportunidade de privar com alguns iluminados da transparência. Objectivo nobre. Grande promessa. E no entanto... como tal norma pode ser manipulada para promover a maior opacidade...
Veja-se: Que tal promover reuniões para produzir actas particularmente negativas sobre algumas pessoas? A acta é um instrumento de divulgação e, portanto, de transparência. Certo, na reunião também foram focadas outras pessoas. Caso pouco importante, porque o que interessa é frisar, na acta, o tal instrumento de transparência, o que nos interessa. Também é naturalmente secundário saber como se conduziu o processo para que: 1) a pessoa visada pelas críticas não esteja presente, já que todos têm o hábito salutar de falar mais facilmente das pessoas e menos elogiosamente das suas qualidades na sua ausência; 2) a conversa fosse encaminhada para a avaliação crítica... E depois produz-se a dita acta, símbolo de transparência, para que, claro, tudo fique... claro.
Exemplo n. 2: Organize-se um abaixo assinado para instar a que um orgão de arbitragem avalie possíveis irregularidades. Eis a base que pede transparência. Pouco importa se a irregularidade existiu ou não. Ao fim de algum tempo (leia-se poucos dias), já ninguém se lembra de qual a acusação exacta. Mas todos se lembram de que era hedionda, inconfessável, indigna, uma mancha na hora da própria instituição (alguns dos mais absorver irão mesmo até à «querida instituição»). À medida que o tempo passa, a acusação vai mudando, até se tornar quase corriqueira. No entanto, a apreciação é mais inerte e a multidão já se fixou e agora quer sangue. Corre o abaixo assinado, firmado por pessoas com os olhos cada vez mais raiados de sangue. O que interessa a acusação?
Resta a questão: como dialogar com quem só quer a transparência e finca pé neste chavão?
Exagero? Excessos kafkianos? Mania da perseguição? Venham trabalhar comigo e aprenderão que, se não verificarem sempre os vossos passos, poderão a qualquer momento ser vítimas... da transparência.
Por cristina às 20:04 0 comentário(s)

Por João Neto às 12:47
Por João Neto às 09:04 0 comentário(s)
As cigarras cantam
sem saberem que é a morte
que as escuta
- Matsuo Banshô (1644-1694)
Por João Neto às 13:31 0 comentário(s)
É a luz no fundo do túnel que nos permite ver o túnel.
Por João Neto às 09:16 0 comentário(s)
[parte 1] O que era um algoritmo? Interessava associar à ideia intuitiva,
Um algoritmo (ou procedimento efectivo), é um conjunto de regras bem definidas, que nos informa, de momento a momento, o que se deve fazer.
a) uma linguagem que introduz a sintaxe e a gramática das regras,Durante um curso em Cambridge, Alan Turing ouviu falar do Entscheidungsproblem e ao pensar nele considerou que era necessário modelar o processo pelo qual o matemático atinge a prova de uma dada conjectura. Assim, tomou a expressão ‘processo mecânico’ usada por Hilbert figurativamente, no sentido literal. Em 1936, apresentou o que é hoje conhecido por Máquina de Turing, um formalismo que não tendo um cariz essencialmente matemático, era uma máquina no sentido intuitivo do termo. Possuía um sistema de controle que determinava o comportamento da máquina, uma fita onde armazenava informação e uma cabeça de leitura/escrita.
b) um mecanismo de interpretação dessa linguagem,
c) um conjunto de regras respeitando as restrições estabelecidas em a).
Por João Neto às 10:28 0 comentário(s)
“Blogs evolved out of a desire to remove barriers to online conversation, and restricting their ability to add comments would seriously reduce the sort of lively debate that makes them so interesting.” [1]
Por João Neto às 08:43 0 comentário(s)
Por João Neto às 11:04 0 comentário(s)
Num atalho da montanha
sorrindo
uma violeta
- Matsuo Banshô (1644-1694)
Por João Neto às 16:19 0 comentário(s)