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junho 27, 2006

Rotação

Por muito difícil ou entediante cada ano teu que passa, o que deixas? Que momentos guardas, quais os humores distintos que te atravessam e que esquecerás por descuido? Para que armazenar uma vida, única sempre mas que te parece a mesma dos outros? Mesmo perdendo todos nessa perda, a resposta, havendo-a, serás tu a dá-la.

junho 20, 2006

Intersecção

O dicionário é o esforço desesperado de fixar o vento que são as palavras. Se fores ao teu e procurares 'amizade' vês-te nessa explicação? E 'azul'? Quando conversas com alguém tantas as diferenças entre os vossos mundos, quão ténue a ponte que vos liga.

maio 16, 2006

Segredo


Que máscara tua não verga à plateia que te defronta?

maio 10, 2006

Cinzentos

Ser honesto ou falso não são os únicos resultados desse diálogo de máscaras que são as pessoas.

dezembro 13, 2005

Máscara

Desaprendem os homens certas coisas e fazem bem, contanto que, desaprendendo uma coisa, aprendam outra. Longe o vácuo no coração humano. Fazem-se certas demolições, e bom é que se façam, mas com a condição de serem seguidas de novas construções.

Entretanto, estudemos as coisas que já não existem. É necessário conhecê-las, ainda que não seja para as evitar. As contracções do passado tomam nomes falsos e gostam de chamar-se o futuro. Esta alma do outro mundo, o passado, é atreito a falsificar o seu passaporte. Precatemo-nos contra o laço, desconfiemos dele. O passado tem um rosto, que é a superstição, e uma máscara, que é a hipocrisia. Denunciemos-lhe o rosto e arranquemos-lhe a máscara. - Victor Hugo, Os Miseráveis

novembro 03, 2005

Mapear

A burocracia é a vontade de transformar necessidades em procedimentos. Tem (talvez) o desejo nobre de servir na simplicidade que promete. Mas esse simplificar estimula o homogéneo que nos mistura. Forçar isso é pior do que nos ver como números ou fichas normalizadas, é querer reduzir-nos ao suficiente para a promessa ser cumprida.

junho 17, 2005

Invariante

Mesmo com emails, chats, telemóveis, sms/mms/3Gs, blogs, os quilómetros que nos separam dos amigos continuam os mesmos.

outubro 29, 2004

Estimativa

Nunca seremos bons gestores das expectativas alheias.

outubro 14, 2004

Valor é...

O valor é a abstracção da necessidade. A abstracção é o generalizar depois do irrelevante. Como os meus preconceitos definem essa irrelevância, o valor de algo depende da minha visão do Mundo. É na maximização desse valor que um comportamento se justifica. Creio ser este o argumento da teoria económica do valor. É que há qualquer coisa nele... Por exemplo, como conhecer a tua visão para estimar o que fazes? Principalmente, se importante for para a minha.

outubro 12, 2004

Inimigo Nosso

Possum Pogo (c) Walt Kelly
We have met the enemy and he is us - Walt Kelly(1952)

outubro 01, 2004

Protecção

Os Amantes - Magritte (1928)

Qual a impermeável face do hábito que hoje usas? Diz-lhe que trocarias sempre o próximo beijo pelo despir dessa mentira.

setembro 15, 2004

Contacto

O sentido só se obtém através de negociação e subsequente partilha. No nada só há ausência, no início só possibilidade. É na necessidade do outro que o meu se cumpre.

julho 20, 2004

Não se pode provar uma negativa universal? (parte I)

(traduzido do artigo Can Science Prove that God Does Not Exist? de Theodore Schick, Jr. Free Inquiry magazine, Vol. 21, 1. )

"Não se pode provar uma negativa universal" é a resposta típica para afirmar que a Ciência não pode provar que Deus não existe. Uma negativa universal é uma afirmação que algo não existe em lado algum. Como não é possível examinar todo o Universo (segue o argumento) não se pode provar conclusivamente a não-existência de algo. No entanto, o princípio que não se pode provar uma negativa universal é uma negativa universal. Ele afirma que não existem provas de negativas universais. Mas se não há provas, então ninguém pode provar que não se pode provar negativas universais! E se ninguém pode provar que não se pode provar, então é logicamente admissível que se pode provar uma negativa universal. Assim, este princípio auto-refuta-se: se é verdadeiro, é falso.

De facto existem muitas negativas universais que foram provadas. Parmenides (há 2500 anos) afirmou que não podem existir contradições lógicas: não há solteiros casados, nenhum circulo é quadrado, e não existe o maior número porque estas noções são contraditórias. Elas violam a mais fundamental lei lógica: a lei da não-contradição (nada pode ter e não ter uma dada propriedade). Uma forma de provar uma negativa universal é provar que uma dada noção é contraditória (também se designa inconsistente). Para provar que Deus não existe, basta demonstrar que a concepção de Deus é inconsistente:
  • O teísmo tradicional define Deus como o ser supremo, do qual não se pode conceber maior, como Santo Agostinho disse. Sabemos que não existe um número supremo X - se existisse, o número 2^X era um número maior (contradição). Muitos acreditam que a noção de um ser supremo é análoga ao de um número supremo.
  • Outros (o cristianismo, por exemplo) afirmam que Deus é perfeitamente justo e misericordioso. Se é perfeitamente justo, todos terão o que merecem. Se é perfeitamente misericordioso, perdoará a todos. Mas não parece ser possível ser as duas coisas. Assim, esta noção pode ser inconsistente.

Estão são apenas algumas inconsistências encontradas nas definições tradicionais de Deus. [...] Os teístas afirmarão que se estas noções forem bem entendidas não existe contradição lógica. E se tiverem razão? Se for logicamente possível existir Deus? Será que isso implica que não se pode provar a inexistência de Deus? Não, para provar que algo não existe basta provar que é epistimologicamente desnecessário, ou seja, que esse algo não é necessário para provar nada. A Ciência tem provado a não-existência de vários conceitos desta forma, como o flogisto, o éter e o planeta Vulcão. As provas cientificas não são como as provas lógicas, não precisam estabelecer as suas conclusões para lá de qualquer dúvida. Basta que as suas conclusões estejam para lá de qualquer dúvida razoável, sendo justificação suficiente para lhes dar valor.

O flogisto, o éter e o planeta Vulcão são entidades teóricas postuladas para explicar certos fenómenos. O flogisto foi usado para explicar o calor, o éter para justificar a propagação da luz através do espaço, e Vulcão para acertar as perturbações da órbita de Mercúrio. A Ciência, desde então, mostrou que os respectivos fenómenos podem ser explicados sem invocar estes conceitos. Ao demonstrar a sua inutilidade, ficou provada a sua inexistência.

Deus é uma entidade teórica postulada pelos teístas para explicar diversos fenómenos, como a origem e o desenho do Universo ou a origem da vida. A Ciência moderna prossegue o seu caminho para explicar todos estes fenómenos sem a ajuda de Deus. Como Laplace disse ao Czar da Rússia: "não preciso dessa hipótese". Ao provar que Deus não é necessário para explicar nada, a Ciência mostra que há tanta razão para acreditar em Deus, como para acreditar no flogisto, no éter ou em Vulcão. [cont.]

julho 16, 2004

Ecos

Habituámo-nos ao convívio das máquinas até ao ponto de estruturarem a sociedade. Esta impressão de normalidade chega mesmo ao afecto (pelo carro, computador, telemóvel). Procuramos agora recheá-las de raciocínio e emoção mecânica. Mas o mundo da máquina é o do inorgânico: o padrão da repetição, da geometria do constante, da obstinação gelada do imutável. De facto, toda a evolução do mundo orgânico procurou afastar-se deste deserto. Vivemos rodeados por ecos de fracassos: vírus, bactérias, insectos.

junho 22, 2004

Prêt-à-porter

Quando mentes vestes essa roupa a mais que te afasta da nudez da Verdade. Não te esqueças que, embora pareça, não está assim tanto frio.

junho 07, 2004

Aproximação

Aprendemos e ensinamos por sucessivas aproximações do que achamos ser verdade. Aproximação é palavra suave para dizer mentira. Não tem grande mal enquanto nos lembrarmos disso. Aluno e professor.

maio 18, 2004

Encontro

Vermeer
Vermeer - Mulher lendo uma carta

Coberta de expectativa ou surpresa, uma carta é expressão de um momento, de um desejo, de um relato. Mensagem que redime o mensageiro, ideia que se lê, intenção que se escreve, memória retida no silêncio desse triplo encontro.

maio 17, 2004

Fluxo

A cada dia acumulamos diferenças que nos alteram. Cada um de nós é um somatório de passados sobrepostos numa série de contigências até este preciso segundo. Talvez explique porque muitas relações não funcionam ao fim de uns anos: quem se juntou já não existe. Somos outros a manter compromissos de outrora.

janeiro 19, 2004

O que falta

Na essência do Homem encontra-se uma vontade de entendimento, um desejo de compreensão, uma ânsia de controlar uma Natureza indiferente. Por isso nomeamos as coisas, catalogamo-las para as tomar, adormecendo sobre o conforto dessa posse. Mas o mundo é infindo, quantas palavras nos faltam para descrever o real? O que sente o astrónomo quando pressente a infinitude do Universo? O atleta no instante da vitória Olímpica. O silêncio do deserto. Os olhos do carrasco no olhar da vítima. O místico no momento do êxtase. Uma mãe quando, por nada, perde um filho.

outubro 23, 2003

Momentos Perenes


Uma Carta de Amor - Vermeer
Da nossa posição de espectador vemos um momento interromper outro.
A musica parou na espectativa de uma carta que ficará por abrir.