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março 29, 2004

Fenómenos e Interpretações

A Ciência é diferente das outras explicações do Universo. Quando se argumenta sobre este assunto é necessário separar o fenómeno da explicação do mesmo. Por exemplo, não se deve discutir os sintomas da "possessão diabólica". Em certos casos, eles existem e é inútil colocá-los em causa. A Ciência pode tentar explicá-los (uma disfunção psico-somática como a epilepsia, talvez uma reacção pós-traumática) apesar de não garantir mais que uma aproximação da verdade. Já a explicação popular nascida na Religião medieval (Satã) é infantil, supersticiosa e errada. É aqui que se deve centrar o esforço da desmistificação.

março 25, 2004

Escolhas

A Religião fornece réplicas, adornos numa cidade já construída. A Ciência dá respostas, tijolos num deserto infinito.

março 24, 2004

Simplificações

Muito da Filosofia, da Ciência, da Religião baseia-se em ideias simples de enunciar. Porque são necessários tantos livros, tantos argumentos? Deve ser possível explicar o conceito de romance num único parágrafo, mas substituiria isso a minha biblioteca?

março 22, 2004

Dicotomias

A dúvida. Fonte que alimenta a Ciência e angustia a Fé. Em ambas é possível usar a razão para lidar com ela. Ou a fogueira.

fevereiro 17, 2004

Investigações

A cada esforço teu a ideia que queres nova pouco avança para logo se deter em dificuldades inesperadas. Sustentada num edifício de ideias outras, esperas, suficiente para subir degraus do (teu) saber. Talvez desça sem que o percebas mas tal é a vastidão da nossa ignorância.

janeiro 19, 2004

O que falta

Na essência do Homem encontra-se uma vontade de entendimento, um desejo de compreensão, uma ânsia de controlar uma Natureza indiferente. Por isso nomeamos as coisas, catalogamo-las para as tomar, adormecendo sobre o conforto dessa posse. Mas o mundo é infindo, quantas palavras nos faltam para descrever o real? O que sente o astrónomo quando pressente a infinitude do Universo? O atleta no instante da vitória Olímpica. O silêncio do deserto. Os olhos do carrasco no olhar da vítima. O místico no momento do êxtase. Uma mãe quando, por nada, perde um filho.

outubro 20, 2003

O Erro de Kant

No pensamento de Kant encontramos um sistema que classifica os diferentes juízos humanos. Eles são divididos de duas formas: (i) analíticos ou sintéticos, e (ii) à-priori ou à-posteriori. Um julgamento é analítico se corresponder a uma tautologia lógica. Um facto empírico, produzido pela percepção ou pela razão é um julgamento sintético. Num exemplo matemático, afirmar "4=sucessor(3)" é um julgamento analítico (corresponde à definição indutiva dos números naturais). Já afirmar "4=2+2" é sintético, existe um conteúdo informativo na expressão que só se pode concluir após alguma reflexão. Julgamentos à-priori são anteriores à percepção, independentes da experiência, enquanto os julgamentos à-posteriori (como seria de esperar) não são. Kant afirmou que todos os julgamentos à-priori são analíticos, existindo por isso apenas 3 combinações possíveis (ou seja, julgamentos analíticos à-posteriori não existem). Um exemplo:

à priori à posteriori
analítico
sintético
Lógica -
Matemática Ciência
A lógica é o edifício analítico que sustenta a matemática. Esta é uma estrutura à-priori mas com conteúdo sintético (os teoremas deduzidos a partir do sistema axiomático/lógico). Já a ciência constrói-se a partir de experiências empíricas (apesar do seu fundamento em modelos matemáticos). Porém, o que Kant se esqueceu, é que podem existir julgamentos analíticos à-posteriori!!! Algo que não procura a verdade, mas que a molda segundo os acontecimentos: o Sofismo. A velha arma retórica que através do uso inteligente(?) de falácias procura convencer outros das suas razões (desde os Gregos, nunca deixou de estar na moda). Assim, a tabela anterior ficaria completa com:

à priori à posteriori
analítico
sintético
Lógica Sofisma
Matemática Ciência
E hop!

nota: Para além do titulo ser uma referência humorística ao primeiro livro do António Damásio, o conteúdo do post é acima de tudo uma brincadeira. Quem somos para apontar um byte a Kant? E ver [1].

outubro 14, 2003

Proto-hipóteses

O Homem, desde o inicio, sempre procurou conforto espiritual e físico perante uma Natureza violenta e indiferente. A consciência humana, dom e maldição da espécie, tornou-nos insatisfeitos e impulsionou a caminhada civilizacional que ainda hoje perdura.

Porém, encontraram-se respostas fundamentalmente diferentes à questão de como confortar a mente e o corpo. Enquanto a primeira necessitava de uma arbitrariedade reconfortante (personificada mais cedo ou mais tarde em deuses diversos), a segunda procurou leis (invariantes perceptíveis e interpretáveis) de modo a controlar, ou no mínimo saber o que esperar do futuro. No primeiro caso, a solução mais primitiva tomou a forma de superstições, actos rituais, iniciáticos que favoreciam o praticante por quaisquer motivos misteriosos (que só o xamã entendia). No segundo caso, procurou-se a interpretação do futuro através de sistemas repetíveis, incluídas no que hoje em dia se designa por ciências ocultas e artes divinatórias.

Ambas as respostas cresceram e criaram estruturas coerentes, intelectualmente mais elaboradas, lapidadas com a passagem e experiência dos Séculos. As primeiras desenvolveram-se em religiões inicialmente politeístas até à expressão máxima do monoteísmo (e da ausência no Budismo). Já as segundas, com a fantástica perspectiva que certos fenómenos Naturais (a Natureza seria indiferente, mas não caótica) seguiam regras inteligíveis, abriram o caminho para a ciência (da astrologia para a astronomia, da alquimia para a química...). Se a necessidade de conforto espiritual iniciou-se numa proto-religião alimentada por superstições arbitrárias, a procura do conforto físico alicerçou-se na facilidade prometida de uma proto-ciência.

Isto indica que possivelmente a superstição e actividades como a leitura das cartas, a quiromancia ou a astrologia tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da civilização. Há três, quatro milénios atrás. A tragédia é a sua importância actual.