novembro 10, 2005
outubro 11, 2005
Distância
Por João Neto às 16:55 0 comentário(s)
setembro 02, 2005
Transferência
Já não se procura nos deuses uma forma de domínio sobre a natureza. A tecnologia e o suporte da ciência escoram a civilização. Já não se procura nos deuses a expressão de uma lei divina que nos ordene. A lei civil, legislada e mutável, é uma ferramenta mais apropriada e humana. Já não se procura nos deuses histórias para ferver a imaginação gasta no espremer dos dias. A invenção da literatura e de tudo o resto dão-nos mundos mais complexos e revigorantes que as sagas antigas. Talvez reste aos deuses o segredo nunca desvendado do sentido da vida. Mas o que sabem os seus funcionários (padres, imãs, rabis, xamãs) desse ininteligível? Porque devemos nós, adultos, transferir-lhes o esforço, a responsabilidade e a obrigação de construir esse sentido da vida, já que o fazemos sempre na obra que deixamos? Porque escolher uma moral já pronta em vez de uma ética conquistada? Por ser mais fácil?
Por João Neto às 08:58 0 comentário(s)
julho 13, 2005
Singularidades
Por João Neto às 10:36 0 comentário(s)
junho 27, 2005
O Impacto Ambiental de um Texto (parte 2 de 2)
Uma estudante de Daniel Dennet desenvolveu um exemplo que retira esta discussão da terra da fantasia da filosofia para a realidade. Ela trabalha na pesquisa da SIDA e percebe os perigos que envolvem esta actividade:
Digamos que descubro que o HIV pode ser erradicado de um individuo infectado sobre circunstâncias ideais (total cooperação do doente, total ausência de efeitos inibitórios das drogas usadas, total ausência de contaminação de outras linhas de vírus, etc.) com quatro anos de regime terapêutico. Eu posso estar errada. Posso ter calculado algo mal, ter lido de forma errada alguns dados, ter julgado mal os doentes da experiência ou ter feito uma estimativa muito optimista. E posso errar em publicar estes resultados, mesmo que sejam verdade, devido ao seu impacto ambiental: os mass media podem descrever mal a história, podem descrever mal o processo do tratamento. E alguma dessa culpa é minha. Especialmente se eu usar a palavra "erradicar", que no contexto dos vírus significa a eliminação total do planeta, enquanto pretendia referir apenas uma das estirpes do vírus. Por exemplo, uma complacência irracional poderia espalhar-se ("A cura da SIDA já existe logo não me preciso preocupar mais"). As taxas de incidência de grupos de risco voltariam a aumentar. E pior: a globalização do tratamento poderia aumentar a resistência desse vírus porque muitos não levariam o tratamento até ao fim.
[adaptado do "Freedom Evolves" de Daniel Dennet, Penguin Books, 2003]
Por João Neto às 09:13 0 comentário(s)
junho 23, 2005
Troco
Por João Neto às 10:07 0 comentário(s)
junho 21, 2005
O Impacto Ambiental de um Texto (parte 1 de 2)
Os estudiosos e investigadores, nas suas tradicionais torres de marfim, tipicamente não se preocupam com a responsabilidade que têm no impacto "ambiental" do seu trabalho. As leis da difamação não fazem asserções sobre os males que os textos podem trazer a terceiros, mesmo que indirectamente (focam-se somente na difamação propriamente dita). Que mal um matemático ou um crítico literário podem trazer na execução honesta do seu trabalho? Mas em campos onde as apostas são mais altas há uma tradição em ter especial cuidado e tomar responsabilidades particulares para assegurar que nenhum mal ocorra das suas acções (por exemplo, o juramento de Hipócrates tem este papel para os médicos). Engenheiros, sabendo que a vida de milhares de pessoas pode depender da forma como se constrói uma ponte, executam procedimentos específicos para determinar, segundo o melhor conhecimento humano daquele momento, que o desenho e construção desta é segura.
Quando um académico aspira a ter impacto no mundo "real" (em oposição com o mundo "académico") precisa adoptar as atitudes e hábitos destas disciplinas mais aplicadas. É necessário responsabilizar-se pelo que se diz, reconhecendo que as palavras escritas, se acreditadas por outros, podem provocar consequências profundas para o bem e para o mal. E não é só isso. É preciso reconhecer que estas palavras podem ser mal interpretadas e, até certo grau, é-se responsável pelas prováveis más interpretações da mesma forma que se é pelos efeitos da versão correcta. [cont.]
Por João Neto às 11:03 0 comentário(s)
janeiro 26, 2005
Separação
Por João Neto às 09:07 0 comentário(s)
dezembro 21, 2004
Saída lateral
Por João Neto às 10:14 0 comentário(s)
novembro 11, 2004
Opção
Por João Neto às 09:55 0 comentário(s)
novembro 04, 2004
outubro 08, 2004
Convergência III
Por João Neto às 09:32 0 comentário(s)
setembro 06, 2004
Comparações
Por João Neto às 18:13 0 comentário(s)
maio 06, 2004
Aos Georges Bushes (X)
Que seria da virtude sem o vício? Num mundo sem sexo como exerceria o casto a sua hipocrisia?
Por João Neto às 09:19 0 comentário(s)
maio 04, 2004
Diferenças
Existe igualmente uma diferença qualitativa: a consciência do eu, a análise dos próprios comportamentos, a capacidade de auto-crítica. Esta diferença não serve para responder a perguntas mas para questionar essas mesmas perguntas. Sem ela, é conveniente aceitar a moralidade imposta pela sociedade. É preferível não reler o que já vem acompanhado por algo parecido a uma resposta. É fácil acreditar no branco/preto, no que nos dizem que é certo ou errado, no bom e no mau, o que deve ser ou não censurado.
É verdade que para vivermos em democracia existe a aceitação implícita de um contrato social: cada um de nós transfere um pouco dos seus possíveis para vivermos segundo um padrão de direitos partilhados. Mas nesta transferência não se tem de passar o "eu" para a sociedade. A Ética individual não se esvai na moral actual (que tanto muda). A crítica não tem de parar na convenção do que é errado. O olhar não deve reflectir-se no verniz dos preconceitos. Esse esforço, o esforço que realmente nos destingue dos animais é nosso, nunca dos outros. É um preço demasiado alto a pagar quando decidimos encher de ócio, tédio ou ódio o que nos sobra destes dias que tanto correm.
Por João Neto às 14:19 0 comentário(s)
outubro 06, 2003
O Espirito das Leis
O livro de Richard Miller, A Justiça Nazi (Editorial Notícias), contém uma apologia inicial denominada "O Espirito das Leis". Ele comenta o Direito nazi. Os nazis eram muito cuidadosos com o cumprimento das leis. Das suas leis. Do topo da montanha burocrática, muito do pessoal administrativo, juizes, advogados e outros ligados ao aparelho do Estado, cumpriam procedimentos hediondos e sentiam que os cumpriam segundo o espirito da Lei. Em cada decreto, as assinaturas eram escritas de consciência tranquila, na estrita obediência ao código. As consequentes acções, levadas a cabo por agentes do regime ("ordens são ordens" - a ubíqua e milagrosa frase que redime o gesto) eram por sua vez facilitadas pela obrigação moral própria do povo Alemão, para o qual a desobediência civil era um conceito estranho.
Foi esta preocupação de assegurar as acções, por mais questionáveis que fossem, por um muro protector de leis e regulamentos, que ironicamente serviu de arma para os acusadores de Nuremberga. Estes conheciam melhor o espirito das leis. O Direito não existe independentemente das pessoas que nele acreditam. Miller dá um excelente exemplo: durante uma missa católica romana, os fieis assistem e participam num milagre (o milagre da transubstanciação). Se um conjunto de ateus se reunisse e repetisse - até ao mais ínfimo detalhe - o mesmo conjunto de ritos, o acto não teria qualquer significado. Os nazis eram ateus jurídicos. Reproduziram o sistema legal que os antecedeu, mas esvaziaram o seu significado. Os tribunais não eram mais válidos que a missa imitada, mas providenciaram o sentimento de segurança e conforto que os cidadãos de uma nação habituada a um Estado de Direito, necessitam. Talvez os novos padres falassem com um sotaque estranho, mas repetiam os mesmo ritos e pareciam respeitar as mesmas tradições. A congregação, assim, mantinha-se tranquila. Ninguém pensava abandonar a Igreja. Só que a Igreja já não existia...
Os nazis acreditaram na Lei como um meio para atingir um qualquer fim. Mas o Direito não pode existir sem uma Ética válida, sem a protecção dos indivíduos que sustentam esse mesmo Direito. Se um tribunal é realizado por pessoas que não acreditam nisto, deixa de ser um exercício de justiça. Passa a ser uma farsa, um terrível instrumento de opressão. Os nazis não escreveram e respeitaram leis: arquitectaram e cometeram crimes.
Por João Neto às 09:09 0 comentário(s)
setembro 26, 2003
"O Inferno são os outros" - mexilhão anónimo
Por João Neto às 13:20 0 comentário(s)
setembro 25, 2003
Weblogs II
Entre os blogs, onde deve residir a Ética? Segundo A Blogger Code of UnProfessional Ethics
My readers:...know me. They will judge me according to context.In return:
...are smart. They will not be misled by some stray comment I may happen to make.
...are kind. They make allowances and forgive me ahead of time.I will speak my mind about what I care about.
I will not revise too much or too carefully: Blogging about opera is still jazz.
I will not anticipate and reply to every objection: Punctilliousness in pursuit of the appearance of propriety kills voice. If I apologize, it will be because I have actually betrayed my readers' trust, not because I may have, might have, or could be misread as having done so.
I pledge to keep the reading of my weblog purely optional.
Há, pelo menos, uma diferença em relação aos jornais e aos livros que gostava de salientar. Um blog pode ser alterado em tempo real (um livro também, entre edições, mas as primeiras por cá ficam). Será que é lícito remover uma mensagem passada, ou alterar a sua mensagem de fundo? Será admissível a rescrita de um blog? Serão micro-revisionismos, que modifiquem o sentido da mensagem, aceitáveis? Estarão estes mecanismos fora do âmbito de uma auto-censura? A minha resposta (que vale o que vale) a estas perguntas é não.
ps: falei de auto-censura. Quanto mais bom senso houver, menos se falará desse perigoso instrumento castrador que é a censura (e que detesto).
pps: curiosamente, durante a escrita deste pequeno texto encontrei uma notícia específica sobre a questão de alterar conteúdos de blogs.
Por João Neto às 13:20 0 comentário(s)
Qual será o custo deste teu sorriso?